
Vale a pena estender a atenção para o movimento ao Sul do país. Há muitas bandas interessantes mostrando os primeiros trabalhos abaixo do Trópico de Capricórnio. Como o trio gaúcho Dingo Bells, que acaba de colocar no mercado o álbum “Maravilhas da Vida Moderna”, produzido por Marcelo Fruet (frontman de Os Cozinheiros e produtor do debute do Apanhador Só, banda que participa do disco supracitado).
Desenvolvido num sítio no interior do Rio Grande do Sul, o disco possui uma linguagem de pop rock aliada a uma sofisticação de letras, arranjos e vozes bem afinadas. “Queríamos um álbum que fosse claro, direto. Que pudesse comunicar, chegar e tocar as pessoas. Nesse sentido, um disco pop. ‘Maravilhas’ é um disco de canções. Somado a isso, estávamos muito preocupados em encontrar a nossa própria linguagem”, diz o baixista Felipe Kautz, que toca n’A Autêntica com a banda no dia 22 de agosto.
Junto ao download gratuito, o grupo fez questão de investir em um lançamento de um formato físico diferenciado, que lembra um vinil compacto. “Queríamos desenvolver um álbum, um objeto que fosse atraente e que as pessoas quisessem ter. Além disso, sentimos que a parte visual seria um belo aporte ao conceito do disco. Acho que esses artistas fizeram um grande trabalho e ajudaram muito na tradução do sentido do nosso trabalho”.
Ironia
Enquanto muitos artistas lançam seus primeiros trabalhos homônimos ou com títulos de música, o Dingo Bells preferiu o verso da melhor música do álbum, “Mistério dos 30”. De acordo com Kautz, “Maravilhas da Vida Moderna” resume bem o espírito das 11 faixas.
“É um nome que carrega, na nossa visão, um retrato da nossa época com uma dose de ironia. Vivemos em um mundo em que coisas realmente incríveis acontecem, temos tecnologia e recursos para tornarmos a vida de todos melhor e mais digna. No entanto, muitas vezes caminhamos na direção oposta, nos perdemos com distrações banais, nos podamos com concepções pré-estabelecidas, usamos desses recursos para andar para trás e para segregar”.
Influenciados pelo Clube da Esquina, os integrantes do Dingo Bells esperam conseguir viajar pelo país, assim como outros jovens gaúchos destacados – como Apanhador Só e Ian Ramil. “Os projetos, às vezes, não conseguem circular por uma questão prática de logística, que é a distância para o Centro do país. Mas essa nova cena que tem surgido aqui ainda está sendo consolidada e conhecida em outros cantos do Brasil”.