
Dois lançamentos que aportam ao mercado agora trazem o selo da Nemo, braço da editora mineira Autêntica: “Uma Metamorfose Iraniana” (208 páginas, R$ 39,90) e “Pílulas Azuis”, de Frederik Peeters (idem). Ambos têm credenciais de sobra para agradar em cheio a um público dos mais variados, não só pela forma, como pelo conteúdo.
“Pílulas”, cuja trama é desenvolvida em traços em P&B, é autobiográfico – e comovente. O autor suíço aborda, com delicadeza, sua relação com Cati, a quem conheceu em Genebra. Na página 36, porém, uma revelação resulta “em um silêncio vertiginoso”. “Eu tenho Aids, Fred”, diz a moça de cabelos curtos, em um bar. “Dediquei um segundo de vida, na minha cabeça e no meu coração, a todos os sentimentos mais extremos”, lembra Peeters, que, logo na sequência, percebe que “a partitura logo volta a ser executada”. Os instrumentos ficaram desafinados apenas em um momento. A garota também tem um filho de três anos, também soropositivo. E assim se passaram 13 anos.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Também autobiográfica, “Uma Metamorfose Iraniana” traz a versão do jornalista Mana Neyestani (hoje radicado em Paris) para um história com um je ne sais quoi de bizarro. Em 2006, ele foi submetido a um confinamento sob controle governamental no Irã. E, aqui, discorre sobre a liberdade de expressão.