Bossacucanova amplia seu leque com recém-lançado "Nossa Onda É Essa!"

Cinthya Oliveira - Do Hoje em Dia
Publicado em 14/02/2013 às 13:35.Atualizado em 21/11/2021 às 00:59.
 (Demian Jacob)
(Demian Jacob)

Há 15 anos, quando surgiu, o Bossacucanova deu o que falar. Causou tanto impacto ao misturar bossa nova com música eletrônica, que logo vieram outros com a mesma fórmula (a mais bem-sucedida foi Fernanda Porto, numa parceria com DJ Patife).

Com o passar do tempo, as cópias foram engolidas pela falta de criatividade, enquanto o Bossacucanova continuava a impressionar, especialmente no mercado externo. Alex Moreira, Marcelinho Da Lua e Marcio Menescal nunca deram muita bola para as críticas e não deixaram de criar e gravar (mesmo que em doses homeopáticas).

A prova de que o trio não se permitiu cair na mesmice é o disco que acaba de colocar no mercado, "Nossa Onda É Essa!" (Coqueiro Verde), o primeiro lançamento do grupo em quase cinco anos. O álbum vem sendo desenvolvido há mais de seis anos e é resultado da seleção de uma extensa experimentação do trio.

Dessa vez, a bossa nova deixou de ser o ponto de partida. O quinto trabalho do grupo traz 11 faixas de outras escolas musicais: samba, soul, samba rock... Aqui estão algumas um pouco mais conhecidas, como "Tô Voltando" (Mauricio Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro) e "Deixa a Menina" (Chico Buarque), mas a maioria do repertório vai soar como novidade ao público – especialmente três faixas assinadas pelo próprio trio.

Sem planos

De acordo com o baixista Marcio Menescal, não há planejamento na história do grupo. O mais importante para o trio é se divertir ao inserir interferências eletrônicas em gravações tradicionais de estúdio.

"Não temos muitos critérios sobre estilos e escolha das músicas. Nossas produções são bem demoradas porque não vivemos do Bossa. Cada um de nós possui seus próprios projetos", explica o músico.

As músicas selecionadas vieram de garimpos diversos. "É Preciso Perdoar", gravada por João Gilberto, em 1973, foi descoberta por Marcio Menescal após uma tarde de namoro com os vinis da casa de seu pai, Roberto Menescal.

Mas não basta ter uma boa música em mãos. É importante escolher bem os convidados. Aqui estão Maria Rita, Moska, Teresa Cristina, Elza Soares... "Algumas pessoas convidamos na cara de pau. E tem gente que recusa. O Emílio Santiago foi convidado há alguns anos e disse não. Agora quis participar. Alguém deve ter elogiado o Bossa para ele nos últimos anos", brinca Menescal.

No início, brasileiros tiveram resistência

Marcio Menescal reconhece que o Bossacucanova é mais bem aceito no exterior, mesmo que seu público seja crescente por aqui – sendo Belo Horizonte a cidade que melhor recebe o grupo, segundo ele.

"No início, apresentávamos nosso trabalho para as gravadoras e todo mundo achava esquisito. ‘É isso mesmo?’, nos perguntavam", conta Menescal. "Só deu certo quando nosso disco caiu nas mãos do Béco Dranoff (músico radicado em Nova York, produtor de Bebel Gilberto)".

O trio conseguiu uma grande abertura em outros países justamente por seu hibridismo. Foi convidado para festivais de música eletrônica, jazz e pop.

No Brasil, transformar a Bossa Nova em algo dançante incomodou os que enxergam o movimento de forma imaculada. "Tem muita gente que acha que a Bossa Nova tem que ser ouvida ao pé de ouvido. Mas são músicas tão boas que continuam boas mesmo com a base eletrônica. Dá certo porque temos uma intensa preocupação com a melodia", diz Menescal.

Faixa a faixa - Comentários de Márcio Menescal sobre as novas músicas

"Adeus América"

(com Os Cariocas, Oscar Castro Neves e Wilson Simoninha)
Os Cariocas sempre deram muito apoio pra gente. Quisemos pegar uma música deles. Botamos um hip hop e a faixa ficou uma festa.

"Deixa Menina" (com Maria Rita e David Feldman)

Pensamos na Maria Rita e um sambatrio. Eles gravaram em um take perfeito no estúdio. Depois colocamos a nossa interferência.

"Balança (Não Pode Parar)" (com Cris Delanno)

A primeira música 100% Bossacucanova, sem algum parceiro. O Alexandre sempre quis fazer uma música simples, no estilo Jorge Ben Jor.

"A Pedida É Samba" (com Elza Soares)

Marcelinho apareceu com essa música bem antiga. A Elza fez uma interpretação intimista e transformamos numa pancadaria.

"É Preciso Perdoar" (com Emílio Santiago)

É uma das que eu mais gosto porque não dá para rotular. Não é drum’n’bass, não é samba. É meio psicodélica.

"Segure Tudo" (com Martinho da Vila e Cris Delanno)

A gente quis muito o Martinho da Vila no disco. Tudo que ele faz tem muito astral.

"Ficar" (com Marcela Mangabeira)

Composição nossa com Ronaldo Bastos. Queríamos uma balada, mas não teve jeito, nunca conseguimos isso.

"Waldomiro Pena" (com Wilson Simoninha)

Eu era muito fã do seriado "Plantão de Polícia" quando era moleque e amava essa música. Teve gente que disse: poxa, vão gravar a pior música do Jorge Ben? Mas colocamos uma base de rock, inspirados nos Rolling Stones, e ficou muito legal.

"Deixa pra Lá" (com Teresa Cristina)

Mais um achado do Marcelinho. É um samba muito atual e fizemos um arranjo muito legal, de samba de raiz.

"Rio de Inspiração" (com Moska)

Fizemos essa música com o Moska, que pediu para interpretá-la. É uma música bem carioca.

"Tô voltando" (com Monobloco, Roberto Menescal e Cris Delanno)

Sugestão do percussionista da banda. Tinha tudo a ver com o contexto do disco, pois fala de pessoas que estão dando tchau para as coisas norte-americanas.

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