A contribuição dos imigrantes no caldeirão social, cultural e artístico do Brasil, absolutamente, não é menos que incalculável. Por isso, todo e qualquer brasileiro está suficientemente convencido disso, mas Fernando de Castro tem ainda mais motivos para se convencer: ele é descendente direto, fruto de uma segunda geração de alemães e portugueses radicados no país.
Portanto, é inclusive por razões afetivas que ele está à frente de "Cancioneiro do Imigrante", nova montagem da Cia. Sala B, atração do Espaço Ambiente, até domingo (9). Ingressos a R$ 5 e R$ 2,50. Fernando é diretor artístico e coreógrafo deste trabalho que leva à cena oito bailarinos.
Filiado à linguagem da dança contemporânea, o trabalho se vale de solos, duos, grupos e pas de deux. Todas as composições que pareceram mais adequadas às sugestões implícitas na admirável trilha sonora assinada pela cantora lírica e musicóloga paulista Anna Maria Kieffer.
Como pesquisadora, Anna lançou cinco CDs/livros sobre a memória musical do Brasil, entre 1500 e 2000 (cada um cobrindo 100 anos), o que lhe exigiu recompor partituras e recuperar instrumentos. No CD dedicado às músicas tradicionais dos povos que encontraram porto e futuro no Brasil, saiu parte da trilha. As demais são tradições das culturas afro-brasileiras e ameríndias.
"Pedi aos bailarinos movimentos na onda das músicas, o que as próprias músicas sugerem, como a sensualidade dos árabes. No que escolhemos da tradição japonesa, canções existentes há dois mil anos, acho que imprimimos uma sensação de Japão", avalia Fernando, bailarino do núcleo inicial do grupo Corpo, onde dançou durante 15 anos, e há pouco mais de 20 anos é responsável pela escola instalada na Av. Bandeirantes.
Sustentabilidade
Formada por quatro bailarinos e quatro bailarinas, de origens bastante diversas, a Cia Sala B existe desde 2011. Foi quando estreou com quatro trabalhos de curta duração, o mais longo somava 15 minutos. Como o título já indica, são bailarinos com formação e estrada profissionais, desejosos de acessar o mercado, ter um trabalho que lhes garanta sustentabilidade. Deles também viria boa parte da inspiração de "Cancioneiro do Imigrante".
Vida longa à Cia
Em função do sucesso do Corpo, sua escola seria muito procurada por bailarinos do Brasil e do mundo. Na Cia. há gente da Argentina, da Holanda, dos Estados Unidos, de São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina e Minas, é claro. Com eles, Fernando pretende promover vida longa à Sala B (espaço onde ensaiam na escola), pleitear recursos nas leis de incentivo. Entre os dias 28 e 30, "Cancioneiro do Imigrante" volta no próprio Teatro do Corpo. Anote.