
A banda carioca Mohandas desembarca em Belo Horizonte para três apresentações (confira no fim desta matéria as informações), baseadas em seu disco de estreia, "Etnopop", lançado há pouco tempo. São dez faixas de puro caldeirão musical, com influências múltiplas aliadas a interferências orgânicas e eletrônicas. Tudo para dançar e dançar muito.
Confira a entrevista feita com o percussionista Eduardo Lacerda sobre a proposta musical do Mohandas.
Como serão os shows em Belo Horizonte?
Estamos animados com esta segunda passagem pela cidade, ano passado fizemos dois shows bem bacanas mas para um público reduzido, pois foram em locais pequenos. Agora faremos três shows, um deles no festival Sensacional que acontece em Praça Pública e é um evento gratuito, o que nos deixa bastante honrados e felizes. Será uma oportunidade maravilhosa de levar nosso trabalho para um público mais amplo e promover trocas e intercâmbios com outras bandas, coisa que também valorizamos muito. O repertório tem novidades em relação ao disco que lançamos, vamos fazer uma mescla entre o que está no disco "etnopop" e outras músicas, algumas antigas e outras novinhas em folha!
Como é a "música étnica" que serve de inspiração para a banda? Vocês fazem pesquisas?
Não existe uma matriz que nos sirva de exclusiva inspiração, o que existem são diversas tradições musicais em diálogo no tempo e no espaço, e nossa tentativa de nos conectar a elas. Nossas influências são múltiplas, e quando falamos em música étnica, estamos nos referindo, em suma, às manifestações de música popular de povos e culturas diversas ao redor do globo. Em todos os continentes existem tradições de música popular muito antigas, algumas imemoriais, que de alguma forma, com o advento da internet, e o avanço e popularização dos meios tecnológicos de gravação e reprodução musical, saíram das profundezas culturais onde foram geradas e chegaram ao alcance e ao conhecimento de um público maior. Estamos falando desde os variadíssimos estilos de música popular africanos, jamaicanos, latinos, até as músicas sacras dos mais diversos cultos, e claro, a rica diversidade de ritmos autóctones brasileiros, que trazem em seu DNA a miscigenação cultural de nosso povo. O principal meio de acesso à todo esse conteúdo hoje em dia é, sem dúvida, a internet, é nela que fazemos pesquisa.
O som de vocês é uma mistura intensa de vários ritmos e linguagens, aparentemente tocados de maneira bem-humorada e despreocupada. Algo que lembra o trabalho de outros cariocas de agora, como Tono, Do Amor, Kassin... Há uma linguagem, um caminho em comum entre os artistas da cena independente do Rio de Janeiro?
Não acho que haja especificamente uma linguagem em comum… talvez um ponto mais comum entre esses nomes que você citou seja a busca por um som original, autoral, uma maneira de fazer as coisas, despreocupada não com a execução ou com a criação em si, mas livre de amarras conceituais ou mercadológicas, mais preocupada em ser verdadeira. Outro ponto que posso sublinhar aqui é a maneira coletiva de se construir um lugar na cena, porque pra essa turma, assim como para nós, não há independência no sentido de isolamento, pelo contrário, o que há é a soma de esforços e talentos. É só você perceber que entre esses e outros nomes da música carioca de agora há uma grande troca, músicos que tocam em vários projetos, gravam nos discos dos amigos, produzem coisas juntos, montam shows e espetáculos em parceria, enfim, fortalecem a cena de uma maneira generosa e aberta para a renovacão e a comunhão. Isso nos interessa muito em termos profissionais e achamos que é por aí que a(s) banda(s) toca(m)!
Serviço
Quinta: show no Nelson Bordello
Rua Aarão Reis, 554. Centro, (31) 3564-3323
Abertura da Casa: 22 horas
Show de abertura: A Fase Rosa
Horário do show do Mohandas: 1 hora
Ingresso: R$ 10
Sexta: show da Gruta Casa de Passagem
Rua Pitangui, 3613C. Bairro Horto, (31) 2511-6770
Abertura da Casa: 22 horas
Horário do show: 00h30
Ingresso: R$10 até meia-noite, depois R$ 15
Sábado: show no Sensacional! 4
Praça da Savassi – Palco Amarelo
O evento acontece das 14 às 22 horas
Evento gratuito