CCBB-BH expõe 14 obras de artistas de várias parte do mundo

Clarissa Carvalhaes - Hoje em Dia
Publicado em 19/11/2014 às 08:17.Atualizado em 18/11/2021 às 05:04.
 (Lucas Prates/ Hoje em Dia )
(Lucas Prates/ Hoje em Dia )
Ali na calçada, bem em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade, o transeunte vai encontrar a partir desta quarta-feira (19) uma obra sarcasticamente narcísica na forma de um gigantesco autorretrato: uma cabeça com cerca de dois metros de altura feita em resina sobre a qual o público é convidado a colar chicletes mascados. 
 
A escultura “Gum Head”, assinada pelo canadense Douglas Coupland, 52 anos, é um convite à céu aberto da mostra “Ciclo – Criar com o que Temos” ao público para que adentre o CCBB para conferir outras 13 obras, produzidas por artistas de várias partes do mundo (apenas um brasileiro).
 
A mostra foi concebida especialmente para o Brasil pelo curador Marcello Dantas e reúne instalações, robótica, mapeamento, esculturas, interatividade, construções, ações coletivas e públicas. “É um grande experimentar de visões do mundo sobre a poética de transformar as coisas do cotidiano em objetos de arte. Todos os trabalhos estão relacionados ao fato de que vivemos numa era de excesso e o excesso é o cerne dos nossos tempo”, afirma. 
 
Além de Coupland, também integram a mostra a uruguaia Julia Castagno, o espanhol Daniel Canogar, o alemão Michael Sailstorfer, o mexicano Pedro Reyes, as norte-americanas Petah Coyne e Tara Donovan, o israelense Daniel Rozin, o inglês Ryan Gander, a bengalesa Tayeba Begum Lupi, o brasileiro Daniel Senise, o chinês Song Dong e os italianos Michelangelo Pistoletto e Lorenzo Durantini.
 
“Artistas que não fazem parte do mesmo país, da mesma escola, da mesma geração, nem têm a mesma intenção, mas todos estão deglutindo algo que tem a ver com uma estrada aberta por Duchamp cem anos atrás, quando ele pegou um objeto do mundo industrial e ressignificou esse objeto sem necessariamente alterá-lo profundamente”.
 
Em “Disarm”, obra de Pedro Reyes, é mais evidente o conceito da mostra. Nela, o artista transforma 6 mil armas de traficantes em instrumentos musicais. Entre as composições apresentadas está uma canção de Marcelo Yuka – músico carioca que ficou paraplégico depois de levar um tiro. “É um certo exorcismo, um momento de purificação e é talvez a obra que mais iconiza a exposição porque transforma uma coisa radicalmente ruim em outra radicalmente envolvente”.
 
Artistas celebram Duchamp no CCBB
 
O artista francês Marcel Duchamp (1887–1968), homenageado da mostra “Ciclo – Criar com o que Temos”, frequentou em Paris a Academie Julian, onde pintou quadros impressionistas, segundo ele, “só para ver como eles faziam isso”.
 
Entre 1913 e1915 criou os batizados ready-made – objetos encontrados já prontos. Uma das obras mais célebres é “Fonte” (urinol de louça enviado a uma exposição em Nova York e recusado pelo comitê de seleção). Na verdade, os ready escondem uma crítica agressiva contra a noção comum de obra de arte.
 
“Ciclo – Criar com o que Temos” no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450). Visitas gratuitas de quarta a segunda, das 9h às 21h. Até 19/1/2015. 
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