
Paulo André é casado, tem muitos amigos e adora trabalhar em equipe. Nada a ver, portanto, com o solitário maquinista de metrô Juvenal, que ele interpreta em “O Homem das Multidões”, filme de Cao Guimarães e Marcelo Gomes que estreia nesta quinta-feira (31) nos cinemas de Belo Horizonte.
“Não tem nada de mim e, ao mesmo tempo, tem tudo de mim. Tenho meus momentos de querer ficar sozinho, como quase todo mundo, mas não ao ponto de Juvenal. Apesar de diferentes, o que está nele é meu de certa forma, pois ajudei nessa composição”, observa o ator.
Nesse ano em que completa duas décadas como um dos integrantes do Grupo Galpão, uma das mais importantes companhias teatrais do país, André vive um momento especial em sua carreira, colhendo elogios unânimes da crítica por seu papel no filme.
Não é a sua primeira obra no cinema (participou de “Fronteira”, de Rafael Conde), muito menos o seu primeiro protagonista (já tinha feito um em “O Silêncio”, de Sérgio Borges). Mas certamente é o personagem que mostrou suas potencialidades para além do teatro.
Tanto é assim que se mostra preocupado em não ficar marcado por Juvenal. “Esse personagem é um presente, que oferece um universo muito grande para o ator explorar. Mas desde o término das filmagens, em dezembro de 2012, não fiz outro. Não quero que pensem que sou ator de um personagem”.
Ele reparte os louros com os diretores, que partiram do conto homônimo de Edgar Allan Poe para construir uma narrativa sobre a solidão nas metrópoles. “Juvenal não é um solitário depressivo. Não poetisa ou teoriza sobre a sua condição, aceitando-a de maneira cordata”, analisa.
No que André define como quebra-cabeça para a composição do maquinista, foi de grande importância o período de ensaios, que incluiu visitas às estações de metrô e viagens ao lado de condutores de verdade. “Adoro ensaiar. O Marcelo também. Então foi sopa no mel”.
Estar subordinado a dois diretores não foi um trabalho estressante, garante o ator. “Estavam muito afinados. Eles se ouviam muito. Mais do que isso: admiram profundamente o trabalho um do outro. Tudo foi pensando para o melhor do filme”, frisa.
Confira o vídeo:
Reflexão sobre solidão e amizade
Todo realizado em locações no centro de Belo Horizonte, “O Homem das Multidões”, parceria entre o mineiro Cao Guimarães e o pernambucano Marcelo Gomes, é livremente inspirado no conto “The man of the crowd”, do escritor norte-americano Edgar Allan Poe. O filme acompanha o cotidiano de Juvenal (Paulo André), solitário maquinista de metrô que se mistura ao aglomerado de gente do centro de uma grande metrópole em busca das companhias que ele não tem na sua vida particular.
Resultado de quase sete anos de trabalho, esse filme é uma reflexão sobre diferentes formas de solidão e amizade no universo urbano brasileiro.