Durante a entrevista, chama a atenção o número de vezes em que Cezzinha usa a expressão “Graças a Deus”, assim como a maneira carinhosa com a qual se despede da reportagem: “Deus te abençoe”. Registrado como Cézar Thomaz, o sanfoneiro, cantor, compositor e arranjador pernambucano exala tranquilidade e uma fé que se estende à ideia de que ideais como “boa música” e “resgate cultural” possam, sim, ser aplicáveis à realidade.
O mote do bate-papo foi o recém-gravado DVD “Um Amor de Novela”, o primeiro de sua carreira solo. O registro aconteceu no dia 10 de maio, no Chevrolet Hall Recife. “Foi ótimo, um encontro de amigos. E foi importante para Pernambuco, porque sou filho da terra, e (acho) foi muito prestigiado.
O show contou com convidados do naipe de Fafá de Belém, Elba Ramalho, Alcione e Zélia Duncan, bem como cantores da cena local, como Almir Rouche, Jorge do Altinho, Maciel Melo, Santana e Nando Cordel. Faltou, claro, Dominguinhos, ainda afastado da cena musical por motivo de saúde. “É um processo lento (o restabelecimento do mestre), mas queria muito, muito, muito ter contado com ele no palco”, diz Cezzinha.
Previsto para ser lançado até o final do ano, o DVD será uma boa “desculpa” para fazer Cezzinha viajar pelo país. “Embora eu saiba que é difícil trabalhar cultura popular”.
Paz e respeito
Contabilizando apenas 28 anos, Cezzinha soma dois anos de carreira solo e “13, 14” acompanhando gente de responsa, como o já citado Dominguinhos e Elba Ramalho, com quem teve uma longa relação. Cumpre lembrar que ele chegou a morar um tempo na casa da filha de Dominguinhos, Guadalupe, no período em que o sanfoneiro, que tinha passado por uma cirurgia, se recuperava por lá. Foi quando a amizade se estreitou. “Ele me inspira como artista e ser humano, é aquele tipo de homem que leva a música a todo mundo de coração”.
Com os outros baluartes da MPB, as lições também foram devidamente absorvidas. “Principalmente o respeito à música. As pessoas me encaminharam muito bem, no sentido de colocar a música em primeiro lugar, sempre. Estou muito feliz, graças a Deus. Plantei muita coisa boa e hoje acredito que, com a poesia, com a boa música, é possível fazer um resgate cultural rapidamente, com paz e respeito”.