"Christmas Concert" entra em campo para ampliar público fã de jazz

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 12/12/2013 às 07:34.Atualizado em 20/11/2021 às 14:45.
 (Divulgação)
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Ninguém dá mais importância ao Natal do que os americanos. A festa vai muito além de árvores enfeitadas e o culto ao Papai Noel na terra do Tio Sam. A música também é ingrediente importante e a indústria fonográfica sempre se aproveitou bem disso. Nat King Cole, Frank Sinatra, Tony Bennett, Billie Holiday e outros grandes cantores registraram ótimas canções, que vão muito além das obviedades que ouvimos nos shoppings locais em todo o mês de dezembro.

É essa bela tradição de músicas natalinas a matéria-prima para a “Jazz Festival Brasil – Christmas Concert”, festival com quatro apresentações que serão realizadas hoje e amanhã no Teatro Bradesco. Será a oportunidade de ver veteranos do universo do jazz norte-americano, como a New Orleans All Stars – formada por instrumentistas bastante destacados, como o saxofonista Gary Brown e o baixista Tony Hall –, que convida as cantoras Lanita Wise e Erica Falls, e a Chicago Jazz Masters, que acompanha Shirley King, filha do mestre BB King.

Leo Soltz, diretor do “Jazz Festival Brasil”, quis ir além do público que vem formando há 14 anos e desenvolveu um espetáculo que vai agradar em cheio às crianças e às pessoas da terceira idade. Convidou a californiana Alissa Sanders (confira entrevista com a cantora na página 3) para um tributo a Louis Armstrong, interpretando as músicas que o jazzista gravou para Walt Disney – para se ter uma ideia, há até uma versão dele para a ótima “Bibbidi-Bobbidi-Boo”, de “Cinderela”. 

"As músicas de Natal são jazzísticas em sua essência", explica Leo Soltz. “Assisti a um tributo a Armstrong na Disney e pensei que poderíamos relembrar, ao mesmo tempo, clássicos natalinos e essas músicas feitas por ele, que se tornaram parte de nosso imaginário. É um show para a família, que atende a um público bem mais diversificado”. Realizado com recursos da Lei Rouanet, o evento terá ingressos a preços acessíveis. Importante para a continuidade do ideal de Soltz de formar público em Belo Horizonte e outras cidades por onde o “Jazz Festival Brasil” já passou. 

“Queremos popularizar o jazz. A origem do gênero é popular, mas por questões históricas, passou a ser visto como elitista. Mas não é”, diz o produtor, que já está articulando nomes “de peso” para a edição de 15 anos de seu evento, com shows que devem acontecer no período próximo ao da Copa do Mundo.

Fique por dentro

Hoje

19h – The Satchmo Jazz Band + Alissa Sanders 

21h30 – New Orleans All Star + Lanita Wise e Erica Falls

Amanhã

19h – The Satchmo Jazz Band + Alissa Sanders

21h30 – Chicago Jazz Masters + Shirley King
No Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos a R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)


Alissa Sanders e o dom do Natal

Alissa Sanders concorda: a cultura musical natalina está tão entranhada nos Estados Unidos que as crianças logo se familiarizam com esse universo algo particular. E, em poucos anos de vida, já sabem as músicas de cor e salteado. Ao mesmo tempo, ela reconhece que muitas destas canções emblemáticas nas terras do Tio Sam são praticamente desconhecidas no Brasil. “Alguns anos atrás, estava aqui, no país, neste período, e senti falta de ouvir algumas dessas músicas”. Decidida a apresentá-las no projeto que chega hoje à capital mineira, ela procurou uma parceria para a empreitada, cônscia de que, sozinha, não iria muito longe.

E foi ao apresentar suas ideias a Thelma Lucas, da Lucas Shows, de São Paulo, que “a coisa” começou a caminhar. “Ela tinha morado nos Estados Unidos durante oito anos e conhecia esse repertório. Ela e o Lucas me apresentaram o Satchmo Jazz Band e descobrimos uma maneira de trazer a ideia para o público brasileiro. Espero que juntos, aqui, em Belo Horizonte, estejamos ajudando a iniciar uma nova tradição de Natal no Brasil”, diz ela, ao Hoje em Dia.
Alissa confessa que uma boa parte do repertório que apresentará por aqui está devidamente registrada em sua memória afetiva. Quando criança, ela participava de um coro na escola e, à época em que contabilizava 12 anos de idade, o coro se organizava para ir de casa em casa, mostrando a afinação através deste recorte específico de repertório. “Nosso grupo tinha, se me lembro bem, algo em torno de 15 pessoas”. Não só.

Em seu embornal memorialístico, também há espaço reservado para os biscoitos que os casais “mais velhos” preparavam para os meninos cantores, em agradecimento a momentos tão prazerosos. Ela cita, especificamente, a música “What Child Is This”. “Muitas das canções que cantamos na época do Natal são canções religiosas”, lembra. Muitas, acrescenta, nasceram dentro do escaninho do “pop”, mas acabaram migrando para o jazz por obra e graça dos cantores do gênero.

“Você pode encontrar canções de Natal gravados por praticamente todas as estrelas da música clássicas, assim como pelas atuais estrelas do universo pop. Ou seja, de Ella Fitzgerald a Justin Bieber”. Ainda de acordo com Alissa, a tradição de Natal para os norte-americanos está como a feijoada para os brasileiros. “Essas músicas me fazem sentir que o Natal está verdadeiramente chegando”, diz a moça. Em tempo: o “Jazz Festival Brasil” tem apoio do Hoje em Dia.

Californiana apaixonada pelo Brasil

Dona de uma voz afinadíssima, Alissa veio ao Brasil pela primeira vez em 1993. Foi paixão à primeira vista. Tanto que, em 1996, resolveu repetir a dose – e ficou por um período mais longo. “Gostaria de compartilhar essa alegria e o amor que essas músicas geram em mim com o público. Tento não criar expectativas, mas, mesmo que as pessoas daqui não cresçam ouvindo esse repertório, se suscitar um sorriso, fazer seus pés mexerem, já me darei por satisfeita”.

 

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