Cia Mamulengos estreia a peça ‘Janeiros’ em BH

Patrícia Cassese - Hoje em Dia
Publicado em 30/10/2015 às 08:00.Atualizado em 17/11/2021 às 02:16.
 (Samuel Macedo)
(Samuel Macedo)

Há pouco mais de um ano, a Cia Carroça de Mamulengos resolveu morar em Minas Gerais, a convite do Instituto Gandarela, no intuito de desenvolver uma residência artística na cidade de Rio Acima. Foi quando os integrantes do grupo conheceram o casal de atores Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna, que se propuseram a participar da montagem de um eventual novo espetáculo. “Desde então, vontades e sonhos começaram a ser trançados”, conta Maria Gomides, da Mamulengos.

O resultado pode ser visto a partir desta sexta (30), quando o grupo estreia “Janeiros”, com direção de Rodolfo Vaz. A dramaturgia, por seu turno, é assinada por Maria junto ao ator e diretor Raysner de Paula. Em cena, quatro filhos e uma neta brincam com bonecos e contam suas histórias – vividas ou inventadas, unindo lembranças e imaginação.

“O argumento foi delineado em sala de ensaio. Palmo a palmo, o espetáculo foi sendo construído a cada dia, o que fez da montagem um processo emocionante, pois a todo instante lidamos com descobertas inesperadas”, prossegue Maria Gomides, que não poupa elogios a Rodolfo. “Trabalhar com ele foi um aprendizado. A cada ensaio tivemos uma aula de teatro. Rodolfo e Fernanda (assistente de direção junto a Juliana Pautilla) foram cuidadosos e atenciosos, trabalharam com dedicação e carinho. Acredito que, após esse processo, construímos uma amizade – e isso é valioso em nossa caminhada”.

Rodolfo, por sua vez, diz que o que mais o encanta, nessa família de brincantes, “é a fé com que seguem no seu ônibus-carroça por quase 40 anos”. “Com oito filhos nascidos, cada um num canto do Brasil, mantendo viva a fé na cultura popular e o sonho dos pais, com generosidade e total entrega a essa vida de andarilhos e artistas.

Foram formados na escola da estrada, são autodidatas que tocam seus instrumentos, cantam, constroem seus próprios cenários, bonecos, figurinos, mantendo uma relação forte com a natureza, levando e trazendo mudas de plantas Brasil afora. Uma vida de fato alternativa com alegria e respeito à arte. Uma família/companhia que renova meu olhar sobre o artista brasileiro”, conclui.

RODOLFO VAZ RESPONDE
 
Como assim, teremos em cena uma garota de dois anos? Como foi dirigi-la? 
A Ana entra em cena "brincando a burrinha", assim como sua mãe fez há 28 anos, quando tinha a mesma idade dela, com essa mesma burrinha confeccionada pelo pai para ela. É preciso ver para entender a ancestralidade dessa "brincadeira". Uma curiosidade é que a Maria, mãe da Ana, estreou também em Minas Gerais, no festival de Ouro Preto. "Dirigi-la" é uma alegria!
 
Poderia destrinchar um pouco a peça, falar do seu trabalho de direção, neste caso?
"Janeiros" partiu de um argumento da companhia sobre uma fábula do tempo. Durante o período que passaram em Rio Acima, depois que perderam o ônibus num acidente e foram amparados pelo patrocínio da Petrobrás, fazendo uma residência artística no Instituto Gandarela, eles deram diversas oficinas, estimulando a cultura nessa pequena cidade e também aperfeiçoando seus talentos com os novos parceiros mineiros. Entramos, eu e Fernanda Vianna, na direção artistica, Wanda Sgarbi no cenário e figurino, Raysner de Paula na dramaturgia, além de parceiros antigos como Carlos Gomide, o pai e criador do Carroça de Mamulengos, que confeccionou os bonecos e parte do cenário, Beto Lemos do Cariri compondo a trilha sonora, João Gioia do Rio criando a luz, Flavia Correia de Alagoas na arte gráfica e outros tantos artistas daqui. O espetáculo apresenta, de forma lúdica, o momento atual da companhia, fazendo uma grande homenagem aos brincantes, com muita música, humor e poesia. 
 
 
MARIA GOMIDES RESPONDE
Essa história do ônibus, do acidente... Poderiam traduzir, nas palavras de vocês, a lição apreendida? 
O acidente que vivemos no ano pasado (dentro do Brasilino, o ônibus colorido da trupe, que levava os artistas para Mato Grosso, a companhia viu um caminhão perder a direção e se chocar na lateral do ônibus. Ao elenco, poucas feridas no corpo, mas, além do susto, o grupo perdeu o ônibus). Teve um impacto profundo em todos, pudemos sentir na pele como a vida é um sopro e que estarmos todos vivos foi um presente divino. 
 
Descartaram de vez a ideia de ter novamente um ônibus colorido? 
Vivemos viajando, então ter um transporte proprio é um necessidade básica para um grupo itinerante. No mês de novembro, vamos atravessar o Brasil para realizar uma turnê no Cariri (CE). Voltaremos para Minas em fevereiro e esperamos que esse novo ônibus aguente a estrada para voltarmos a ter alegria ao ver o Brasil colorido através da janela.
 
 
SERVIÇO

“Janeiros” – Estreia em Rio Acima nesta sexta, às 20h, no Instituto Gandarela (av. Gov. Israel Pinheiro da Silva, 522). Neste sábado (31), às 18h, na Praça da Liberdade. Grátis. Na sequência, a Cia segue pelo interior de MG. Leia mais no Portal Hoje em Dia (hojeemdia.com.br)

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