
Realizado há 31 anos pelo filósofo Adauto Novaes, o Ciclo de Conferências Mutações celebra, neste ano, mais uma edição. Entre esta quarta-feira (20) e o dia 23 de outubro, no BDMG Cultural, serão 13 conferências aglutinadas pelo tema “Dissonâncias do Progresso”.
A primeira e uma das mais destacadas é a do filósofo e professor Vladimir Safatle, da USP. Ele ministra, amanhã, a palestra “Teoria da revolução, progresso e emergência”, retomando a reflexão de Marx a respeito da noção de processos revolucionários.
Outro destaque é o filósofo e professor Newton Bignotto, da UFMG[/TEXTO], cuja palestra, que acontece na sexta-feira, aborda o tema “A política desconstruída e a retomada da guerra de facções”. “Bignotto vai mostrar como hoje, dentro da ideia de progresso, a política tornou-se uma luta entre facções rivais”, afirma Adauto Novaes.
Para Novaes, é urgente ebater o conceito de progresso, que tem abolido a dúvida e colocado a ciência como certeza absoluta. “Nunca se falou tanto de progresso. Basta ver o discurso dos políticos, burocratas e financistas. Tornou-se até logomarca de governo”, assinala. “O progresso é um clichê com enorme efeito na sociedade, que vem se tornando uma crença”, completa.
O filósofo alerta para a limitação teórica imposta por tal crença. “Se no Iluminismo a ciência aboliu grandes certezas e consolidou a dúvida como pensamento, hoje a dúvida foi jogada a escanteio e há uma certeza em tudo o que a ciência propõe”, diz. “Devemos pensar sobre isso. Afinal, pensar é duvidar; concordar é ignorar”.
Serviço: Ciclo de Conferências Mutações – Dissonâncias do Progresso. Desta quarta-feira (20) a 23 de outubro, no BDMG Cultural (rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes). Ingressos avulsos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)