
Quando a “parte I” da mostra “Desejo e Morte” entrou em cartaz no Cine Humberto Mauro, Rafael Ciccarini, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, não tinha muitas dúvidas quanto ao poder de sedução da empreitada ante o público cinéfilo: e, de fato, as 30 sessões atraíram aproximadamente 1.600 pessoas. A segunda parte da homenagem a um dos gêneros mais sedutores da sétima arte entra em cartaz na segunda-feira: “Desejo e Morte – Noir II” abarca 13 filmes, produzidos entre os anos 40 e início dos anos 60, em formato digital.
"(Na primeira parte) a gente já estava meio seguro (do bom feedback), porque, na verdade, a Humberto Mauro já tinha sediado, anteriormente, a mostra ‘As Cores do Noir’, que era meio que uma mostra de trás para frente do gênero, começando com os chamados “neo noir”, os filmes coloridos, modernos – uma vez que o gênero varreu a história do cinema, seguindo, até hoje, a influenciar filmes tanto do ponto de vista de conceito quanto de estética”, assinala.
Mas não só. Ciccarini acrescenta que, pela experiência no nicho “cinefilia”, o noir constitui-se como um dos momentos mais charmosos da história da sétima arte. “Por misturar inteligência com charme e sedução, por serem filmes visualmente muito inspiradores. Há muitas pessoas que gostam de pesquisar o gênero e mesmo os que gostam de cinema mas não são propriamente cinéfilos se sentem atraídos”, pontua.
Sobre o espraiar do noir na trajetória da sétima arte, ele lembra filmes como “Chinatown” (1974), de Roman Polanski, “que se propôs a fazer um noir moderno” e “Blade Runner” (1982), de Ridley Scott. “E temos os Irmãos Coen, talvez os cineastas (contemporâneos) que mais dialogam com o noir, em filmes como ‘Fargo’, que, numa espécie de perversão irônica, é um noir ao contrario”, diz Rafael.
Mostra “Desejo e Morte – Noir II” – Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes/Fundação Clóvis Salgado (av. Afonso Pena, 1.537, Centro). De segunda-feira ao dia 27. Acesso gratuito, retirada de ingressos 30 minutos antes da sessão. Informações: 3236-7400