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Paulo Henrique Silva* - Hoje em Dia
Publicado em 04/05/2014 às 13:38.Atualizado em 18/11/2021 às 02:25.
RECIFE – Constrangida, Soledad Villamil esconde os olhos com a mão quando a jornalista lê trechos de uma crônica apaixonada de Luís Fernando Veríssimo dedicada à atriz argentina, escrita após o lançamento do filme “O Segredo dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella, ganhador do Oscar de melhor produção estrangeira de 2010.
 
Veríssimo suplica, no texto, para Soledad não aceitar ofertas de papéis de empregadas mexicanas no cinema dos Estados Unidos, escolha que prejudicaria a sua carreira, segundo o escritor. Três anos depois, o máximo que ela chegou perto de Hollywood foi atuar ao lado de Viggo Mortensen em “Todos Tenemos un Plan”.
 
Um dos destaques da programação da 18ª edição do Cine PE Festival do Audiovisual, encerrada na última sexta-feira, o filme contraria os temores do cronista, levando um ator de expressão como Mortensen (o Aragorn da saga “O Senhor dos Anéis”) para protagonizar uma história bem argentina, falada no idioma de nossos “hermanos”.
 
“Eu não o conhecia e foi muito surpreendente vê-lo envolvido em todos os aspectos da filmagem, impondo, no set, um clima de entusiasmo e colaboração a partir de seu próximo exemplo. É um grande maestro”, elogia Soledad, que também não poupa elogios a Ricardo Darín, seu companheiro em “O Segredo dos Seus Olhos”.
 
Cantora de tango, com três discos lançados (o quarto já está no forno), e oriunda do teatro independente, a guapa atriz de 44 anos interpreta, em “Todos Tenemos um Plan”, a mulher de um pediatra (Viggo) insatisfeito com a sua vida que resolve trocar de identidade com o irmão gêmeo e morar num ambiente mais rude, às margens do Tigre.
 
“Claudia é uma feminista que, mais do que mostrar desejo de vingança e ressentimento (ao ser abandonada pelo marido), tem um plano para a sua vida, como o título deixa claro. Ela e a outra personagem feminina, Rosa, são as únicas a terem um propósito, enquanto os homens vão pelas circunstâncias”, registra.
 
Os elementos masculinos surgem, para ela, mais atados às suas dificuldades, em grande parte relacionadas ao passado. “Eles trazem marcas de infância muito violentas e buscam resolver isso a todo custo”, detalha Soledad, ressaltando que Claudia não abre mão de adotar uma criança mesmo quando perde o marido. 
 
(*)Viajou a convite da organização do Cine PE 
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