Cineasta chinês Chen Kaige deixa tema de mudanças por histórias de época

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 15/04/2013 às 11:43.Atualizado em 21/11/2021 às 02:50.

O diretor chinês Chen Kaige ("Adeus, Minha Concubina"), assim como Zhang Yimou ("Lanternas Vermelhas"), não desperta o mesmo interesse quando surgiu na década de 80, refletindo a gradual abertura do país comunista.

Seus filmes deixaram de ser retratos dessa mudança – papel que hoje cabe a Jia Zhang-Ke ("Plataforma") – para trilhar por histórias de época, com cenas espetaculares de luta e conflitos que versam sobre lealdade e amor.

Lançado no mercado de homevideo, "Sacrifício" segue a opção da chamada Quinta Geração do cinema chinês pela revitalização do gênero "wuxia", que mistura lutas bem coreografadas, fotografia exuberante e filosofia oriental de bolso.

Como muitos desses filmes, o sentimento que move a narrativa é a vingança. Baseado numa peça sobre a dinastia Yun, "O Órfão de Zhao", "Sacrifício" acompanha um garoto que é criado para matar o regente, responsável pelo assassinato de toda as sua família, inclusive de seus pais.

A vingança, na verdade, é mais um desejo do tutor do órfão, que, devido a um golpe do destino, tem seu filho confundido com o menino real, que acaba morto, bem como a sua esposa.

O grande tema é a ação do tempo, de como mudamos a nossa percepção com a distância de fatos passados. É assim que, velhos, o tutor e o assassino assumem, sem notar, outro tipo de relação.

Interpretações

O sacrifício do título ganha interpretações variadas, desde a perda da família do tutor para ajudar seus governantes. Passa por uma vida alimentada por uma forçada aproximação com o inimigo para melhor atacá-lo.

Mas está, fundamentalmente, na maneira como sacrificam suas convicções simplesmente porque o ser humano é uma matéria apaixonante.

Num determinado momento da história, os rivais se tornam pais do garoto, participando ativamente de seu desenvolvimento. Como nas filosofias orientais, o texto se escora em dualidades: o ódio e a pureza, o pessoal e o coletivo e, principalmente, o novo e o antigo.

Ao final, veremos que o novo irá prevalecer, talvez agora com uma visão diferente sobre rivalidades históricas, por ter convivido com os dois lados. É o máximo que Kaige pode ir em se tratando da China atual.

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