Apichatpong Weerasethakul. O nome é grande, impronunciável e impossível de escrever só de cabeça. Desde que ganhou o Festival de Cannes de 2011, com o filme "Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas", porém, essas 24 letras viraram corriqueiras na fala de quem observa com atenção o cinema atual.
E quem ainda desconhece do que se trata, terá um bom motivo para receber um curso intensivo sobre a obra desse diretor tailandês. E ministrada pelo próprio. No sábado, Weerasethakul estará em Belo Horizonte para participar de conferências, retrospectiva de seus filmes e abertura de exposição.
A curiosidade é recíproca, como adianta em entrevista ao Hoje em Dia. "O país é um mistério para mim", salienta o cineasta, revelando que está ansioso por "explorar" o audiovisual brasileiro, especialmente a videoarte. A possibilidade se tornou real com o prêmio em Cannes.
Jane Fonda
"O prêmio me possibilitou ir a países que eu jamais poderia imaginar", admite. A Palma de Ouro permitiu que projetos ambiciosos viessem à tona, como uma ficção científica protagonizada pela veterana atriz americana Jane Fonda. "Espero que possamos operar na mesma sintonia", anima-se.
Desta forma, segue o caminho de outros estrangeiros premiados em Cannes, cujo prestígio internacional atraiu estrelas como Natalie Portman (que trabalhou com o israelense Amos Gitai) e Isabelle Huppert (parceiro do filipino Brillante Mendoza e do sul-coreano Hong Sang-soo).
Seu estilo peculiar, no entanto, não mudará de rota, fundindo folclore, política e questões sociais atuais. "Eu faço filmes para tentar dar sentido a este país feliz que mergulhou em muitos problemas", registra Weerasethakul, que define a Tailândia como uma nação ultra-nacionalista, que vive sob ancestrais fantasmagóricos. "Materialismo e animismo convivem muito bem".
Obras do tailandês também no Oi Futuro
O artista tailandês também ganhará exposição no Oi Futuro, a partir de 3 de julho, centrada em "Hotel Mekong", último trabalho do diretor, lançado em Cannes no ano passado.
Também serão exibidos sete curtas-metragens de Weerasethakul: "Cactus River", "Ashes", "Uma Carta para o Tio Boonmee", "Vampiro", "Pessoas Luminosas", "Esmeralda" e "O Hino".