Clássico da Sessão da Tarde, 'Curtindo a Vida Adoidado' completa hoje três décadas

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 10/06/2016 às 20:25.Atualizado em 16/11/2021 às 03:50.
 (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
(UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)

Não há quem, na faixa de 30 a 40 anos, não tenha se deparado com o filme adolescente que, sucesso certeiro de audiência, não saía de cartaz da “Sessão da Tarde”, na Globo. “Curtindo a Vida Adoidado” virou um clássico e, após três décadas de seu lançamento, completados hoje, continua encantando gerações e críticos de cinema.

Ferris Bueller, seu protagonista, virou sinônimo de um jovem que, apesar do mirabolante plano para faltar à aula, enganando pais e professores, para passar um dia em off ao lado da namorada Sloane e do amigo Cameron, sabe bem o que quer da vida – contrastando com os garotos espinhentos e inseguros de outros filmes.

"John Hughes (o diretor e roteirista, falecido em 2009) conseguiu ir muito além das comédias sobre adolescentes que se fazia na época, a maioria resumindo os jovens a bobalhões ou gaiatos, sempre em busca de festas e sexo”, registra Renato Félix, editor de cultura e crítico do jornal “Correio da Paraíba”.

Ele destaca que o filme toca em questões existenciais sobre o amadurecimento, tema caro de Hughes. “Ferris mata aula porque é a última oportunidade de fazer isso com Sloane e Cameron antes que eles terminem o colégio e se separem”, sublinha Renato, lembrando ainda que o amigo revela problemas sérios com o pai que o deprimem.

O DESCOLADO
Para Luiz Joaquim, crítico pernambucano e editor do site “Cinema Escrito”, Hughes era autor de uma dinâmica brilhante que “compreendia como poucos a vontade de liberdade da juventude e como representá-las em personagens perdedores (os ‘loosers’, para os norte-americanos) mas que ali, em seus filmes, eram o ‘winners’. Eram aqueles que gostaríamos de ser”, pondera.

Luiz salienta que Ferris traz a ideia da figura descolada do colégio que todos sonhavam ser um dia. “Ao menos um dia. Não pela força ou beleza extraordinárias, mas pela inteligência, pela sagacidade, por ser gente boa e por ser divertido. Ferris representa a expressão máxima da inconsequência – atitude própria da juventude – mas em função da alegria e, o mais importante, sem prejudicar ninguém (exceto o coitado do Cameron)”.

No caso do amigo, Luiz dá um desconto, pois o pouco sociável garoto teria uma história incrível para contar no futuro e isso, naquele momento, é o que valia, sem falar na própria lição que ele aprendeu, conseguindo finalmente ter coragem para enfrentar o pai. “O resumo é que todos aprendem algo e, o melhor, depois de um dia de diversão e liberdade”.

A busca de um livro baseado em “Curtindo a Vida Adoidado” e lançado no mesmo ano do filme representou uma verdadeira busca detetivesca para os editores da Gutenberg, selo da Autêntica.

Depois de pedir a ajuda de agentes literários no Brasil e no exterior, entraram em contato com a editora Penguin Books, que não tinha uma cópia sequer, nem mesmo o PDF dos originais.

“Tivemos que procurar em sebos nos Estados Unidos e escanear o livro para enviar ao tradutor. Foi 100% um trabalho de resgate”, observa a editora Silvia Tocci Masini, que acaba de lançar a versão brasileira.

UM POUCO DE ÁGUA
Assinado por Todd Stresser, o livro amplia algumas situações presentes no filme. “É mais completo, com detalhes sobre personagens coadjuvantes”, antecipa Silva, para quem a história é divertida, apesar de ser também aflitiva.

“A gente fica pensando se ele vai conseguir resolver tudo, depois de se meter em tanta encrenca. Com essa aflição toda, eu até saio da sala um pouco para tomar um copo da água”, relata Silvia.

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