
O sonho americano abatido de forma contundente. Dois casais, um mais velho, com largos anos de convivência, e outro mais jovem. Ambos, com o passar dos diálogos, deixam cair as máscaras do casamento perfeito. E toda essa carpintaria dramatúrgica ganha contornos ainda mais fortes e peculiares por se passar em um campus norte-americano.
É nesse ambiente, turbinado por emoções à flor da pele, prospectado por desejos sexuais, que transita a peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf ?”, que chega a Belo Horizonte para curta temporada, desta sexta-feira (22) a domingo (24), no Cine Theatro Brasil Vallourec, com Zezé Polessa, Ana Kutner, Daniel Dantas e Erom Cordeiro no elenco.
Escrito pelo norte-americano Edward Albee, em 1962, o texto se mantém atual e irretocável em suas nuances e jogos entre os casais. Para a atriz Zezé Polessa – que interpreta Marta e é produtora da peça – essa “atualidade”, após 51 anos, é incrivelmente sedutora.
“E se tornou um clássico por isso. Além de ser belíssima, é uma peça de personagens bem construídos, de personalidades bem definidas. E tem, ainda, o tema relacionamentos. Trata das frustrações humanas, dos desejos, de sonhos não realizados, como as pessoas lidam com isso sendo um casal. Você sozinho é uma coisa; você casada, que compartilha com alguém, é outra”.
A atriz diz que a montagem desse texto foi sugerida pelo diretor Victor Garcia Peralta, com quem já havia trabalhado em “Não Sou Feliz, mas Tenho Marido”. “Era um monólogo no qual a mulher fala do casamento, e ele (Peralta) lembrou de ‘Virginia Woolf’, da personagem Marta. Uma peça maravilhosamente dramática sobre esse assunto, casamento; é a peça máxima. Vi o filme com Elizabeth Taylor e Richard Burton e era muito pesado. Então, ele disse que eu tinha que ler a peça, que tem humor. São pessoas brilhantes naquele circuito universitário, intelectual, com linguagem boa, muitas palavras, discurso afiado... tem repertório nas brigas, discussões. Li e me apaixonei”, explica.
Segredo
No Brasil, a peça já foi encenada por Cacilda Becker e Walmor Chagas nos anos 1960, depois por Raul Cortez e Lillian Lemmertz nos 1970, e por Marieta Severo e Marco Nanini em 2000. Zezé, que não tinha visto nenhuma dessas montagens, acredita que o pulo do gato da atual é a intensa participação e envolvimento de toda a equipe.
“Foi um trabalho de equipe. Um trabalho onde o diretor não tinha uma pré-concepção, embora conhecesse a peça e tivesse desejo de montá-la há muito tempo. Juntamos os atores, convidamos a equipe de criação e fomos fazendo juntos, a partir do material humano e artístico que tínhamos. Deu no que deu, se é melhor ou pior não sei, mas é uma montagem de agora”, ressalta.
ALÉM DISSO
Elenco bate-papo com a plateia
Após a sessão desta sexta-feira haverá um bate-papo na série “Encontros Vivo EnCena”. Após experiências em São Paulo e no Rio, Zezé não vê a hora do encontro com os mineiros. “No Rio, a peça ficou seis meses em cartaz e todos os domingos a gente fazia, por nossa conta, essa conversa com a plateia. Foi muito legal ter um retorno. O problema é que não acabava nunca”, ri.