
Fundado em 2003 pelo trompetista Adriano George, o coletivo Confraria do Groove reúne nomes importantíssimos de gerações variadas da cena musical em Minas. Com mais de duas décadas de estrada, grupo chega às plataformas de streaming na próxima quinta-feira (14) com primeiro álbum autoral. São 11 faixas que mesclam referências estruturais da música negra brasileira e mineira com influências de sons do mundo. "Um repertório que já vem sendo lapidado há anos, com direção clara e senso de coletivo bem definido", afirma George.
“Made in Minas” é um trabalho que organiza a experiência acumulada pelos músicos. É também um registro de maturidade artística. "O lançamento inaugura um novo momento de circulação para o coletivo, ampliando o alcance de uma sonoridade construída no encontro, no palco e na nossa convivência" acrescenta Adriano George. "Um trabalho que se apresenta com consistência, identidade e lastro, pronto para ocupar seu espaço entre os lançamentos relevantes da música instrumental brasileira contemporânea", pondera.
No repertório, destaques para as faixas “Feel the Groove”, que estabelece o pulso da obra, e “Tempero da Estação”, resultado de uma parceria com Leo Moura e que acerta na memória afetiva sem nostalgia fácil.
Há momentos de expansão instrumental, como “Vitória” e “Incognoscível”, e pausas mais abertas, como “Já Faz um Tempo”. A faixa-título, “Made in Minas”, e “Eu Vou Pagar pra Ver” sustentam o eixo do samba soul que estrutura o disco.
Trabalho tem ainda voz e a bateria de Binho Carvalho, o baixo de Ivan Corrêa, vencedor do Latin Grammy em 2013, as percussões de Serginho Silva e os teclados de Guilherme Praxedes. Além dos registros de guitarras deixados por Claudio Moraleida, ex-integrante que faleceu ano passado, e os riffs de Márcio Monteiro e Samy Erick.
Os sopros arrematam a formação de big band, com Matheus Duque, Roberto Oliveira e Leo Moura nos saxofones, Miguel Praça no trombone, e Adriano George no trompete.
Os scratches do lendário DJ A Coisa imprimem textura e colocam em diálogo direto os instrumentos orgânicos com elementos eletrônicos, ampliando o campo sonoro do álbum sem perder a coesão do conjunto.