Com influências mundiais, Túlio Araújo dá protagonismo ao pandeiro em novo álbum

Jéssica Malta
jcouto@hojeemdia.com.br
Publicado em 22/09/2017 às 16:24.Atualizado em 15/11/2021 às 10:41.
 (Flávio charhar/Divulgação)
(Flávio charhar/Divulgação)

Um grande espelho de Nova Iorque. Assim o músico mineiro Túlio Araújo define seu novo disco “Monduland”, trabalho em que ele segue colocando o pandeiro como peça central de canções que flertam com o jazz e carregam a essência cosmopolita e mundial da cidade norte-americana.

“Se eu não tivesse tido essas experiências, o disco seria muito diferente do que é”, diz Araújo, em relação ao período em que viveu na metrópole. “Fujo um pouco do tradicionalismo mineiro, que é um povo que gosta muito das coisas do jeito que estão, tudo em seu lugar. Eu, por outro lado, sempre tive um coração muito desbravador e muito mundial. A sensação do desconhecido me agrada muito e acho que Nova Iorque é um resumo disso. Eu brinco que lá é um mundo comprimido em um lugar só”, conta Araújo. “O disco tem muito disso. É meio que o minha ideia de mundo dentro dele”.

Com canções em português, inglês e até mesmo uma em hebraico, o álbum deixa em evidência as influências internacionais Os convidados reforçam ainda mais isso, já que além dos brasileiros Lucas Telles, que assume a direção e os arranjos do disco, e do cantor Sérgio Santos, Araújo também convida a israelense Sivan Arbel, a norte-americana Leale Cyr e o canadense Atoine Pelegrin.

Para além das influências internacionais, o músico transporta para o trabalho um mergulho de dois anos nos estudos sobre modulações rítmicas, métricas e harmônicas. “Essa é uma coisa que acontece muito na música erudita e não na popular. Meu grande desafio foi transportar esses conceitos tão complexos para algo musical”, conta.

Pandeiro

Peça central do disco, o padeiro é companheiro de Araújo de muito tempo, apesar de não ter sido sua primeira escolha. “Minha história começa pelo violão. Mas sempre frequentei muitos forrós, desde que cheguei a BH, em 1997. Nesses lugares, sempre ficavam alguns instrumentos jogados no palco. Por algum motivo, o pandeiro me atraiu. Larguei o violão e durante muitos anos, como eu não tinha muito dinheiro, fiquei na porta dos forrós tocando. Isso foi um pouco da minha escola”, lembra. “O pandeiro é literalmente uma bateria de bolso, você pode levar para qualquer lugar. É um instrumento muito companheiro”.

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