
O caminho para chegar ao perdão é longo, cheio de pedras, mas promete leveza. “A Busca”, drama protagonizado por Wagner Moura, que estreia nesta sexta-feira (15) nos cinemas, fala dessa trajetória árdua mas necessária para evoluirmos e engolirmos o orgulho nosso de cada dia. No filme, ponto sempre positivo para a atuação do experiente Lima Duarte, que faz o papel de “Sal”, pai do personagem principal.
Sim, o perdão é necessário. Quem há de duvidar? O médico Theo insiste nisso. Ele é o personagem de Moura. Mas, Pedro, o filho dele, interpretado por Brás Antunes, dá um “chega pra lá” em sua doentia certeza. O jovem ator é filho do músico Arnaldo Antunes.
A historinha: no fim de semana que completaria 15 anos, Pedro viaja e some. Então, Theo cai na estrada para seguir as pistas do guri “revolt”.
Mandato marital
Na micro-família tipicamente urbana, Theo acaba de receber “um pé no traseiro” de sua digníssima Branca, interpretada por Mariana Lima. Como esperado, ele não aceita o fim do seu mandato marital. No fundo daquele coração de homem bem-sucedido, há também um garoto amargurado pelas lembranças de um pai que abandonou a família, e isso complica tudo.
Já o menino fujão tem “cabeça de artista” e como um príncipe abnegado montado num cavalo caminho afora, toca pessoas com sua sensibilidade em favelas, festas rave, vilas...
Mas Pedro quer mesmo é encontrar o avô, pai de Theo, com quem vem trocando cartas e desenhos como escape de sua vida onde não é ouvido.
Theo e Branca descobrem a ligação. O mais estranho é como um pai que está com o filho desaparecido sequer dá um telefonema para o 190... Deixando o Sherlock Holmes “baixar”, Theo resolve as coisas do seu desastrado jeito, garantindo pitadas de humor na trama.
Cortando da lista
Não queremos ter filhos revoltados e perdidos por aí. Não queremos pais e chefes tiranos. Mas as escolhas por serem “assim ou assado” é dos outros. O único poder que temos é de tirar a pedra da amargura do nosso peito depois da decepção.
A dica de autoajuda do dia é: essa pedra, a que nos apegamos tão inutilmente como Theo o faz no filme, deixa o abraço no outro mais desconfortável. Tirá-la do peito é “a busca” mais imprescindível de todas. Isso, aqui, é coisa de cinema, mas certamente, é também da vida real.
Confira o trailer: