"Antes Só do que Mal Acompanhado", uma das comédias mais divertidas da década de 80, ganha uma releitura disfarçada em "Uma Ladra Sem Limites", em cartaz a partir desta sexta-feira (10) nos cinemas do país.
O filme protagonizado por Melissa McCarthy e Jason Bateman parte do mesmo expediente, concentrando-se na relação de amor e ódio entre um correto executivo e um gordinho grosseiro.
Interpretada por Steve Martin e John Candy no longa de 1987, a dupla atravessa o país não mais confrontando-se com fatores climáticos que obrigam a uma convivência forçada. No encalço deles estão perigosos bandidos.
Humor acelerado
Além da troca de sexo no papel do gordinho, favorecendo o acréscimo de piadas apelativas, "Uma Ladra Sem Limites" eleva à décima potência o humor físico e acelerado, pegando carona nas demolidoras comédias de hoje, como "Se Beber, Não Case".
Mas a mudança mais nítida está na lição moral empreendida pelos filmes, que sai da órbita do egoísta e estressado executivo (em "Antes Só do que Mal Acompanhado") para um retrato mais perverso do representante pesadinho, bem longe da docilidade de Candy.
Diana, a personagem de Melissa, é uma falsária, mentirosa contumaz e desbocada que clona o cartão de crédito de Sandy (Bateman), pai dedicado e marido exemplar, para fazer as compras mais absurdas.
Bom-mocismo
O roteiro de Jerry Eeten e Craig Mazin deixa entender que sua atitude está relacionada com complexo de inferioridade, que, embalado num tipo de humor agressivo, ganha um incômodo contorno politicamente incorreto.
A transformação dela, além de pequena, só corrobora para evidenciar uma figura problemática. Enquanto Sandy, diferentemente do executivo de Martin, não é um produto do nocivo mundo dos negócios.
Se Martin luta contra o relógio para chegar em casa a tempo de passar o dia de Ação de Graças com os familiares, Bateman tem apenas uma semana para provar o que todo mundo sabe: a dívida do cartão não é culpa dele.
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