
Nem os comes e bebes escaparam do atento olhar poético do escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). E foi nesta direção que a professora emérita da Faculdade de Letras da UFMG, Letícia Malard, apontou os estudos para embasar a palestra – “À Mesa com Drummond” –que ministra nesta terça-feira (2), às 19h30, na Casa Fiat de Cultura (Circuito Cultural Praça da Liberdade). Na verdade, Letícia varreu a obra autor. “Fui seguindo cronologicamente todos os textos com estas questões. Vou comentar tudo”.
E tem todo tipo de “sabor” nestes achados. “Em alguns poemas, como ‘A Mesa’, ele evoca estas questões. Mas nem sempre fala sobre a comida mineira”, observa.
Croquete da amante
A seleção foi organizada sobre três aspectos. O Drummond adolescente, com os costumes alimentares em Itabira e em Belo Horizonte; o poeta mais maduro, quando “pega” questões mais amplas da alimentação; e assuntos culinários referente ao relacionamento dele com a amante”. “A amante o recebia com comidinhas, biscoitinhos e papinhas. E há poemas em que ele comenta sobre isso”.
Em “Poema Culinário”, exemplifica, o poeta diz como gosta que se faça um croquete. “Mas não vou falar de receitas culinárias. Afinal, ele não tinha fama de cozinheiro. Ele tinha fama de guloso, apesar de ser muito magrinho”.
O levantamento faz parte de um ensaio que Letícia prepara ainda sem data para publicação. A professora diz que esta angulação é mais uma prova do quanto é versátil o olhar artístico do poeta. “Nos textos que vou mostrar na palestra, isso fica evidente”, concorda.
O encontro integra o Ciclo de Palestras da exposição “QuasePoema – Cartas e Outras Escrituras Drummondianas na Casa Fiat de Cultura”, que fica em cartaz até 18 de janeiro do ano que vem. “O jovem Drummond em Belo Horizonte” norteia o próximo encontro do projeto, a ser realizada no próximo dia 10. l