Compadre Washington fala sobre decisão do Conar em tirar propaganda do ar

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 29/05/2014 às 20:40.Atualizado em 18/11/2021 às 02:47.
 (Alex Dantas/Divulgação)
(Alex Dantas/Divulgação)

 

Está na boca do povo. Quem ainda não sabe disso é "inocente". Mas uma palavrinha maliciosa no final do texto de "Rádio Compadre", um dos comerciais que mais deram o que falar nos últimos anos, tem tirado o sono de alguns consumidores. Menos o sono do Compadre Washington, 52 anos, garoto propaganda do anúncio em questão, que oferece os serviços do site de classificados Bom Negócio. Na manhã desta quarta-feira (28), Compadre acordava quando a reportagem do Hoje em Dia ligou para ele: "Não quero ofender a ninguém. 'Ordinária' é uma coisa carinhosa. É uma coisa da Bahia", justifica.
 
No vídeo, o vocalista da banda É o Tchan desfere um dos bordões mais famosos da propaganda brasileira: "Sabe de nada, inocente!". O que tem sido encarado como problema em "Rádio Compadre" está no final do texto. Nesse momento, o vocalista, com aquela espontaneidade tipicamente soteropolitana e conhecida em todo Brasil, instiga a personagem com quem contracena, diante do marido dela, por meio de um malandríssimo: "Vem, vem, ordinária!".
 
A informação é de que dezenas de reclamações de consumidores teriam chegado ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) considerando o "ordinária" ofensivo. A partir daí, segundo site da instituição, por meio de voto, foi decidido por "unanimidade", na última terça-feira (27), pela adaptação do texto do anúncio. Enquanto a frase não for modificada, o anúncio deve ficar suspenso. 
 
No YouTube, até o momento da postagem desta notícia, o vídeo já havia alcançado quase 8,3 milhões de views. Disparadamente o maior número de visualizações, em comparação com os outros três comerciais da mesma série que tiveram como garotos propaganda o roqueiro Supla, a socialite Narcisa Tamborindeguy e o ex-jogador de futebol Diego Maradona. 
 
Na entrevista a seguir, pelo telefone, o vocalista fala de como foi o processo de gravação do comercial e sobre seu impulso para criar bordões. ...Dududududupá!
 
Há pelo menos 20 anos, desde quando o É o Tchan! - cujo nome também é fruto de uma gíria sua - iniciou as apresentações, você tem se mostrado um criador nato de bordões que caem na boca do povo, virando mania. De onde vem esse linguajar?
Algumas coisas são da linguagem própria do baiano. Outras, sou eu quem crio. Chega do nada. Vem de Deus. 
 
Deus é muito bem humorado então.
Com certeza! Deus é brasileiro e protetor dos baianos. (Risos)
 
Então, nos lugares por onde você transita essas expressões são comuns?
Fui nascido e criado na periferia e no centro histórico de Salvador, onde nossa linguagem é diferente das classes A e B.
 
A expressão do comercial foi feita por quem?
Eu sempre usei aquela expressão, mas nunca tinha explorado comercialmente. É como eu falo "mainha", "ordinária", "dududududupá!".
 
Por que essas expressões suas caem facilmente na boca do povo?
São expressões que você pode usar em qualquer situação. Todas as pessoas falam. Se você errou, enquanto estava digitando aí na redação, seu colega diz: "Pô, 'tá' errado esse texto! Sabe de naaaada, inocente!". (Risos)
 
E a música com a frase?
Eu e Beto (Jamaica) gravamos. Está no iTunes. Já tem várias visualizações e coreografia.
 
Mais alguma expressão que deve virar música?
"Tome, distraída! A expressão não é minha, mas vai virar música. É uma resposta ao "Sabe de nada, inocente!". Não sou eu quem faço, eu dou a ideia.
 
Nos lugares por onde passa, os fãs chegam a lhe incomodar com essa frase?
Eu ando tranquilo. Sem segurança. Sou eu e Deus. 
 
Abordam e sequer falam bom dia...
É "sabe de nada, inocente" o tempo todo. Tiram foto, selfie e pedem para eu gravar a voz no celular.
 
Como foi feita a gravação do comercial?
Tinha um roteiro e o diretor disse para eu ficar à vontade com meus bordões. Do nada, saiu o "inocente". Ele gostou e trabalhamos em cima disso.
 
Lembra da reação do pessoal do estúdio?
Começamos a gravar pela manhã e fomos até a tarde. Fui falando, falando, falando... Até que chegou um momento que o diretor disse para parar. Tudo que eu falava era divertido. Eles se amarravam em tudo. E fui gravando.
 
Tem algum show programado para Minas Gerais?
Desculpe, não estou com a agenda. Acabei de acordar nesse instante.
 
...Então, estou na cama com Compadre Washington!
Olhe, cuidado! Literalmente, mainha! Você é casada?
 
Não. (Risos)
Sabe de naaaaaaaaaaada, inocente! (Risos)
 
E você é casado?
Graças a Deus, não! Fui casado dez anos atrás, me separei. Mas não é "graças a Deus" porque eu não quero, é porque estou de boa. 
 
 
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