Uma conversa imaginária entre um malabarista, Martin Schwietzk, e um músico, Pierre Diaz, é o que promete "A Espuma do Ar" ("L’écume de l’air"). Trata-se de uma produção da Cia. francesa de novo circo, Les Apostrophés, que vem a Belo Horizonte para uma apresentação apenas, às 20 horas desta quarta-feira (19), no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.
Elaborado pelos dois artistas, o espetáculo "pretende ser um concerto acústico para bolas e saxofone, a memória ancestral da aliança do movimento ao som, um elogio à simplicidade na forma de um concerto". Os artistas dialogariam com sensibilidade e mestria.
Recomendado a espectadores de todas as idades, "A Espuma do Ar" é trazido a Belo Horizonte pela Aliança Francesa, em parceria com a Embaixada da França. Ingressos a R$ 30 e R$ 15 (meia). Abaixo, Martin Schwietzke responde a nossas perguntas.
Você diria que a linguagem do novo circo francês ainda se desenvolve ou já experimentaria contornos bem sedimentados?
As duas coisas são verdadeiras. Ao mesmo tempo, as companhias de novo circo se organizam em "sindicato de circo de criação". E, por outro lado, os contornos nunca foram tão imprecisos: será teatro, dança, uma instalação habitada ou circo?
Que mudanças, que privações e que benefícios (se é que houve algum) a crise econômica, sobretudo na Europa, instalou no cotidiano dos artistas que você conhece mais de perto?
A crise econômica ocasionou uma baixa dos orçamentos para a cultura em geral, é difícil enxergar que benefícios ela trouxe.
No caso particular do seu duo, o encontro inusitado entre a técnica de malabares e os sons do saxofone é o resultado apenas de uma beleza que vocês nem supunham ou também serviu, mesmo que numa proporção menor, a um ineditismo sempre tão buscado nas artes cênicas?
Não penso que se pode falar de algo inédito quanto ao nosso duo, é mais para o lado da poesia que nos dirigimos. Esta arte é tão velha como o mundo e se reinventa sempre.
O que você diria a um francês que reclama que a França é muito expressiva em relação às atitudes de resistência, na atuação política dos seus cidadãos, mas particularmente menos rica em termos de manifestações próprias de cultura?
Eu diria que é da natureza do francês se queixar. Mas quanto às manifestações próprias à cultura, me parece que (o país) se defende bem.
Você saberia mencionar o que acha de mais forte e interessante na cultura do Brasil ou conhece muito pouco do nosso país?
Nunca vimos um país com uma mistura de culturas maior e, portanto, com maior tolerância e respeito ao outro.
De quantas bolas e de que espécie de música o artista precisa para manter a vida e a carreira em equilíbrio?
O mais difícil para o artista é parar de produzir quando já não tem nada mais que dizer.
Uma dupla afinada e criativa no palco
Autodidata, Martin Schwietzke começou a praticar malabarismo aos 16 anos. A partir de 1981, trabalhou em muitas Cias. Em 1997, cria a Apostrophés e se apresenta na França, Alemanha, Brasil, México e Japão, entre outros países. Também ministra estágios de malabarismo e ensina em escolas de circo, inclusive na Escola de Circo de Estocolmo. Além das técnicas tradicionais de malabarismo, ensina a técnica dos círculos (que ainda desenvolve), trabalha a improvisação e a liberdade de movimento do malabarista.
Pierre Diaz é saxofonista, compositor, arranjador e ator. Estudou nos conservatórios de Béziers e Montpellier. Após experimentar a música popular, optou pela música improvisada, o jazz, a criação espontânea com dança, artes plásticas e teatro.
Todo o trabalho da Apostrophés pode ser conferido no LesApostrophés.com.