"Copa de Elite" prova que cinema nacional vai bem, obrigado

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 17/04/2014 às 07:39.Atualizado em 18/11/2021 às 02:09.
 (Fox)
(Fox)

Quer prova maior de que a indústria do cinema brasileiro vai bem, obrigado, do que a realização da paródia “Copa de Elite”? A própria existência do longa, aliás, já é um indício claro de que as produções nacionais ocupam importante espaço em nosso imaginário.

Se fosse na publicidade, os cineastas dos filmes citados em “Copa de Elite” estariam comemorando o ingresso numa espécie de “top of mind”, termo usado na área de marketing para qualificar as marcas mais presentes na mente dos consumidores.

Paródias como “Copa de Elite” só funcionam quando as suas referências são de conhecimento geral. Nos Estados Unidos, sempre que uma produção provoca alvoroço nos espectadores, uma comédia é lançada para tirar um “sarro”.

Trio zaz

É o que podemos chamar de “paródia em retrospectiva”. O mais recente deles, “Inatividade Paranormal”, passa a limpo os últimos sucessos do gênero terror, como “Atividade Paranormal”, “Sobrenatural”, “Filha do Mal” e “O Último Exorcismo”.

A versão brasileira segue exatamente esses passos, brincando com aquelas obras que puxaram o market share dos produtos locais para algo em torno de 20% ao ano. A principal delas é “Tropa de Elite”, mas entram em cena também “2 Filhos de Francisco”, “Se Eu Fosse Você”, “De Pernas pro Ar” e “Chico Xavier”.

E não é que a paródia se sai bem ao amarrar essas referências na narrativa, arrancando algumas boas piadas? A razão está na adaptação, com tempero bem brasileiro, do estilo de humor do trio ZAZ – David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker.

Bom timing

Eles foram os responsáveis, nas décadas de 80 e 90, por filmes como “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!” e “Corra que a Polícia Vem Aí!”. A imitação, que não é grosseira, aparece principalmente no entendimento literal das frases.

Como quando o Capitão do BOP (Marcos Veras, fazendo as vezes de Wagner Moura) diz que algo cheira mal e vemos uma pessoa trocando as fraldas de um bebê. A maior parte das piadas envolve sexo, mas não é ofensiva por justamente terem duplo sentido.

O diretor Vitor Brandt revela bom timing para a comédia, tirando proveito do elenco formado por Rafinha Bastos, Júlia Rabello e Daniel Furlan. Alexandre Frota faz uma participação impagável como a mãe do Capitão. Se os brasileiros continuarem bem nas bilheterias, podem esperar uma continuação.

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