
Com apenas 16 anos, Rafaela Polanczyk acaba de estrear como escritora. Com quase 400 páginas, seu “O Rei Perdido” (editora 3i) é o primeiro título de uma trilogia de ficção fantástica voltada ao público infantojuvenil. “A ideia começou há três anos, quando meu avô viu uma árvore muito grande e me disse que seria interessante pensar em uma história de um mundo mágico dentro dela. A partir daí comecei a escrever, mas sempre alterava um pouquinho, porque entre os 13 e os 16 anos a minha cabeça mudou bastante”, diz a adolescente, já em processo de produção do segundo volume.
Se Rafaela poderá se tornar um fenômeno de vendas aos moldes de Paula Pimenta, só o tempo dirá. Mas a garota já pode se sentir parte de um crescente grupo de meninas prodígio que estão lançando suas obras antes mesmo de atingir a maioridade. Normalmente, são boas alunas em colégios particulares, bem estimuladas culturalmente pela família e grandes amantes de literatura juvenil.
A autora de “O Rei Perdido” arrisca uma explicação para o fenômeno. “Há um maior acesso aos livros. Quem lê, acaba tendo ideias para escrever. Deve ter muita gente que escreveu, mas não teve coragem ainda para publicar suas histórias. Além disso, hoje existem muitas obras voltadas às pessoas da minha idade, o que desperta ainda mais o interesse pela leitura”.
Alessandra Ruiz, editora da Gutemberg (braço juvenil da Editora Autêntica), afirma que o mercado editorial tem se aberto a jovens escritores por conta do crescimento da demanda por literatura juvenil. Afinal, ninguém melhor do que os próprios adolescentes para compreender os anseios da moçada. “O segmento juvenil está bombando no mundo. Há um efeito ‘Harry Potter’ que criou uma nova geração de leitores”, afirma.
Mais do que uma melhora da educação ou de maior acesso a livros, Alessandra explica que houve uma mudança de paradigmas sobre a leitura. “Os pais desses jovens cresceram observando muitas transformações tecnológicas, como o surgimento do micro-ondas, do controle remoto, do videogame e do computador, se afastando dos livros para usufruir das novidades. Esses adolescentes já nasceram em um ambiente cheio de tecnologia e aprenderam desde cedo a fazer tudo ao mesmo tempo. Inclusive, ler”, diz a editora, contando que, durante a Bienal do Livro de São Paulo (de 22 a 31 deste mês), a Gutemberg vai lançar livros de dez adolescentes – sendo oito meninas.
Bruna Vieira, exemplo de sucesso
Seu início foi de forma despretensiosa, com um blog, criado aos 15 anos de idade. O sucesso na internet chamou a atenção do mercado editorial. “A editora me disse: ‘acreditamos que você tem potencial para escrever um romance. Tem alguma ideia em mente? Se desenvolvê-la, vamos publicá-la’”, conta a garota.
Tecnologia
No Ensino Médio, Bruna estudou Informática Ind[/LEAD]ustrial no Cefet de Leopoldina. O conhecimento que adquiriu sobre programação foi importante para que a tecnologia fosse levada para o blog e os livros – tanto que, na sequência, iniciada pela obra “De Volta aos Quinze”, a protagonista viaja no tempo graças à internet.
“Acredito que os professores gostaram tanto assim do livro porque os textos foram publicados em (letra) caixa alta, sendo de fácil leitura e adequados a leitores iniciantes. As ilustrações delicadas e belas da ilustradora Rita Viana combinaram perfeitamente com o tom das poesias”, conta Isabella, acrescentando que o livro é um estímulo para que crianças se sintam à vontade para se tornar escritoras.
Ela arrisca uma opinião sobre o motivo para o crescimento no número de jovens escritoras. “Creio que os constantes movimentos na atualidade de valorização do feminino contribuem para que as jovens garotas se sintam cada vez mais fortes e capaz
Bárbara Muniz dá seus primeiros passos rumo a uma carreira de jovem escritora. No ano passado, ela publicou o belo “Indo ao Futuro para Entender Mães” (Scriptum Jovem), escrito quando tinha 9 anos. Agora, aos 14, desenvolve o terceiro volume de uma trilogia de literatura fantástica. A publicação deve vir quando toda a série estiver terminada.
E sim, o lado leitora continua sendo bem alimentado. Tanto que ela viaja a São Paulo esta sema[/LEAD]na para “curtir” a Bienal Internacional do Livro de São Paulo com uma amiga da escola – esperando ver as autoras Cassandra Clare e Kiera Cass. “Meus pais leem muito, mas quem lê mais, em minha casa, sou eu. Leio um pouco de tudo. Neste momento, estou lendo ‘O Código da Vinci’”, diz.