
BRASÍLIA - O diretor Marcus Curvelo concebeu o curta-metragem “Ótimo Amarelo” a partir de um conflito existencial, sobre sua cidade natal (Salvador) ter se transformado num lugar de passagem, em que é preciso sair – principalmente em direção a Rio de Janeiro e São Paulo – para conquistar seus objetivos.
Primeiro curta exibido na mostra competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite de quarta, “Ótimo Amarelo” é resultado das experiências pessoais de Curvelo, no presente e no passado. “Atualmente, a prefeitura está requalificando, entre aspas, os bairros de classe média alta, com tudo em obras”, registra Marcus.
“É um carlismo (referência ao governador Antônio Carlos Magalhães, um dos principais políticos do Estado, já falecido, e ao filho dele, Antônio Carlos Magalhães Neto, atual prefeito) muito cafona. Por que só fazer essa requalificação nos bairros de classe média alta e nos mais pobres não?”, questiona o cineasta.
“Fiquei fora 10 anos e queria entender o lugar da cidade em que vivo, entender de quem é e para quem é esse lugar”, prossegue Marcus, que fala da “diáspora” baiana usando como referência o ex-jogador Bebeto. “Quando criança, fui com meu pai ao aeroporto, para recebê-lo em sua volta ao Vitória, mas logo depois ele foi embora (para jogar no Botafogo)”.
Outra informação pessoal é extraída dos tempos de escola, em que a avaliação era feita por cores. Somente os melhores alunos recebiam o “ótimo vermelho”, mas Marcus nunca passou do “ótimo amarelo”, mesmo quando tinha esforçado na escola. “Parecia que nada seria suficiente para chegar nesse patamar, o que tem muito a ver com a cidade”.
(*) Viajou a convite da organização do Festival de Brasília