Dakota Fanning faz autista fã de 'Star Trek' no filme 'Tudo que Quero'

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 01/05/2018 às 07:09.Atualizado em 03/11/2021 às 02:36.
 (IMAGEM FILMES/DIVULGAÇÃO)
(IMAGEM FILMES/DIVULGAÇÃO)
 
Dakota Fanning tinha sete anos quando apareceu no filme “Uma Lição de Amor”, no papel de uma menina que corre o risco de ir para um orfanato e ficar distante do pai (Sean Penn), que tem a mesma idade intelectual dela. Dezessete anos depois, a atriz vive justamente uma autista com problemas para se relacionar com os familiares em “Tudo que Quero”, em cartaz nos cinemas.
 
Nos dois filmes, a história foca no amor e na possibilidade de perda. Mas na produção mais recente, dirigida por Ben Lewin, esse olhar não é dirigido a um parente, embora a difícil relação com a irmã (Alice Eye) tenha relevo na trama. Uma das paixões de Wendy (a personagem de Dakota) é a icônica franquia “Jornada nas Estrelas”, uma das mais importantes da ficção-científica.
 
A possibilidade de participar de um concurso de roteiros para a série representa uma forma de ela provar que pode sair da clínica para onde foi levada, após o nascimento do filho da irmã, e conviver com pessoas normais. A entrega do texto, porém, se transforma numa grande epopeia, com Wendy fugindo da clínica para viajar para Los Angeles, sede da produtora Paramount.
 
Pelo caminho, ela encontrará rejeição, preconceito e aproveitadores, mas também pessoas que lhe estenderão a mão e fornecerão à garota um gosto de aventura e provação, dentro de seu universo particular. Além de garantir uma dose de humor, é essa saga o que aproxima os espectadores da personagem, mais do que o melodrama sobre problemas familiares, fortemente presente em “Uma Lição de Amor”. 
 
Diretor de “As Sessões”, também sobre um protagonista com limitações (no caso, físicas), Lewin poderia ter acentuado a aventura, ajudando a desfazer preconceitos. Mas, para isso, também precisaria de um roteiro que se apropriasse mais do universo de “Jornada nas Estrelas”, como o fato de Spock, um dos personagens da série, ser um vulcano e considerado “diferente” dos tripulantes da nave Enterprise.
 
Um dos temas mais trabalhados nos roteiros de “Jornada nas Estrelas” é a questão da eliminação do preconceito e do respeito às diversas raças. Não por acaso, a série criada por Gene Roddenberry em 1966 foi a primeira a mostrar um beijo interracial na televisão e apresentar uma equipe com russos e americanos convivendo em harmonia – lembrando que, na época, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
 
Apesar de a pegada de “Tudo que Quero” ser mais realista, constantemente somos conduzidos para o universo da imaginação de Wendy, como nos momentos em que se visualiza as cenas de seu extenso roteiro. Especialmente no caso da mensagem final do filme, sobre o estabelecimento da compreensão a partir da relação do capitão Kirk e seu amigo Spock, essa ideia acaba prejudicada por quem é leigo em “Jornada nas Estrelas”.
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