Depois do susto, Saul Vilela abre exposição e avisa: ‘I’m Ok’

Patrícia Cassese - Hoje em Dia
Publicado em 11/03/2014 às 07:34.Atualizado em 20/11/2021 às 16:33.
 (Saul Vilela)
(Saul Vilela)

Foi um susto e tanto. De um prosaico exame gástrico, o arquiteto e artista plástico Saul Vilela foi parar em uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), tendo como escala uma mesa cirúrgica. “Estava morrendo e não sabia”, recorda-se ele, todo grato ao médico que o deixou “zero bala”, após ser detectado um entupimento seriíssimo de artéria.

O restabelecimento reverberou em uma frase – “I’m Ok” – que, repetida tantas vezes (para seu júbilo), acabou batizando a mostra que ele abre nesta terça-feira (11) à noite, no Museu Inimá de Paula.

Um endereço para qual vale um parêntesis – foi Saul quem projetou o espaço, em 2007. Antes que alguém questione o motivo de o “estou bem” estar grafado em inglês, a resposta: pouco antes do “evento” cirurgia, Saul tinha acabado de participar da Bienal de Veneza – e retornado ao Brasil na excelentíssima companhia de uma namorada croata, Ivana. O “I’m Ok” foi a forma que ele inicialmente encontrou para tranquilizá-la.

Ao atender telefonemas de seus contatos na Europa, o “I’m Ok” voltou a ser reiterado, diversas vezes. E eis que Saul se viu, certo dia, sentado em uma mesa, com amigos, dividido ante a difícil tarefa de escolher o nome da nova exposição – essa, que será inaugurada nesta terça-feira (11).

“Senti uma tonteira e fui ao banheiro, passar uma água no rosto”. Preocupada com a demora, a namorada foi ver o que estava acontecendo– e se deparou com Saul desacordado, no chão. Um doce para quem adivinhar a expressão que ele falou quando voltou a si – yes, “I’m ok”.

“Mas Ivana brincou: ‘Só se esse for o nome que você escolheu para exposição, porque ok você não está de jeito algum’”, diverte-se ele, hoje. Detalhe: Ivana já voltou para a Croácia. O amor acabou, a amizade perdura.

Quanto aos quadros que serão apresentados na mostra, 23, ele diz que o fio condutor da sua pintura, no cômputo geral, reflete o de sua vida: a liberdade. “Não posso me prender a regras”, diz Saul, que demonstra total respeito a outros dois pilares: morte e solidão.

Dentro do norte“vá aonde seu coração mandar”, o premiado Saul, totalmente restabelecido, segue em frente, dando cada vez mais espaço à pintura em detrimento da arquitetura. “Meu encanto é maior”, justifica, mesmo listando uma série de projetos arquitetônicos espalhados pelo mundo, em países como três nos EUA, além de o de uma casa na França e o de um restaurante em Londres. No final de abril, por exemplo, ele já embarca para Nova York. Ainda aí ainda duvida que ele está ok? l

Saul Vilela – Exposição “I’m Ok” – No Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, Centro). Abertura nesta terça-feira (11). A mostra segue até 13/4.

Visitação

Terças, quartas, sextas e sábados: 10 às 19 horas
Quintas: 12 às 21 horas
Domingos: 12 às 19 horas
Informações: (31) 3236-7400

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