Despedidas de solteira, com direito a stripper, ganham força na capital mineira

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 05/08/2015 às 07:11.Atualizado em 17/11/2021 às 01:13.
 (Warner Bros/divulgação)
(Warner Bros/divulgação)

Várias mulheres reunidas num ambiente fechado, em volta de homens bem esculpidos e de sunga, sem nenhum namorado ou marido por perto. Esse ambiente retratado no filme “Magic Mike XXL”, em cartaz nos cinemas, não é coisa de ficção. Para quem achava que os Clubes das Mulheres faziam parte do passado, essa diversão entre amigas continua mexendo com o imaginário delas, dessa vez em festas particulares de despedida de solteira.

Com ou sem go go boys, o fato é que as mulheres, cada vez mais, não querem botar um anel no dedo sem antes promover uma animada e inesquecível comemoração, que pode ser num local de shows, em casa, numa viagem ou mesmo dentro de um ônibus em movimento.

Agenda cheia

“A mulher hoje é independente, tem seu próprio dinheiro, o que lhe dá liberdade para se divertir numa festinha”, diz “Pierre” (nome fictício), cuja agenda vive cheia de convites para se apresentar em despedidas de solteira.

Localizada em Nova Lima, a Wood’s não se vale da presença de strippers, mas, ali, a média de despedidas de solteira por noite chega a cinco. O espaço presenteia a noiva com coroa e faixa. E, para as acompanhantes, mini-véu e garrafa de espumante.

A boate LGBT Josefine, na Savassi, vem recebendo muitas mulheres, nas noites de quinta-feira, por conta do show de strippers. “Elas nunca deixaram de ter essa fantasia, de poder brincar”, diz a hostess Walkiria La Roche, artista transexual que comandou o boom de Clubes das Mulheres, no final dos anos 1990.

Hoje, ela comanda também festas de despedida de solteira, levando seus bombeiros, policiais e caubóis sarados para eventos particulares. “Estamos vivendo uma ressurreição daquela época. Agora são as filhas e as netas que me ligam, o que só comprova que a imaginação nunca irá morrer”.

A bordo da BoateBus, a mulherada escolhe o destino e conta com um elenco de gogo boys

A BoateBus é o que podemos chamar de uma festa “movimentada”. Afinal, é realizada dentro de um ônibus que percorre as ruas de Belo Horizonte, ao gosto do cliente, que pode escolher o itinerário do veículo – a baixa velocidade, porém, garante a segurança de seus “passageiros”.

Entre as festas que recebe nos finais de semana, uma das que se destacam é a despedida de solteiro. Ou melhor, de solteira. O organizador Felippe Augusto registra que, em dez meses de atividade, somente uma vez o ônibus recebeu o noivo e seus amigos.

A “viagem” sai, em média, a R$ 2 mil, “valor que, dividido entre amigos, acaba ficando barato, já que cabe mais de 40”, ressalta Felippe. O carro tem iluminação especial, equipamento de som e TV e até um pole dance, uma das atrações das despedidas de solteira. E, se precisar, há um elenco de go go boys para entreter a festa. “As mulheres são mais tranquilas. Querem só se divertir numa boa”.

“Baratona”

Há quem opte por uma despedida de solteira diferente. Amanda Delage preferiu uma viagem de verdade para se confraternizar com as amigas. Ela chegou segunda-feira do Rio de Janeiro, onde participou de uma “baratona”, pulando de bar em bar numa das principais ruas do bairro Leblon, trajando arquinhos de noivado.

“Na mesma noite, outros dois ou três grupos de mulheres faziam a mesma coisa”, destaca Amanda, para quem o casamento é uma mudança de status, e que precisa ser festejado.

“A viagem foi uma forma de comemorar ao lado das pessoas que acompanharam minha vida amorosa”.

Modelitos clássicos de mecânicos, policiais, bombeiros e marinheiros são os prediletos

Com o sucesso das despedidas de solteira, Walkiria La Roche estuda a possibilidade de retomar os antigos Clubes de Mulheres. Ela percebe que é preciso de um espaço mais de acordo com o perfil feminino, que não tem o mesmo “apetite” do LGBT da Josefine.

“Elas trabalham mais os sentidos, não buscando uma coisa tão direta”, compara Walkiria. Mas o stripper Pierre garante que elas, sim, são “bem assanhadinhas”. “Você não tem noção!”.

Numa coisa, Walkiria e Pierre concordam. Ao contrário do que mostra “Magic Mike XXL”, em que esse universo ganha um upgrade, rendendo-se ao hip hop, o modelito “clássico” ainda é o preferido da mulherada. Leia-se: mecânicos, policiais, bombeiros e marinheiros.

A consultora de moda e estilista Íris Chaves já acompanhou algumas dessas festas e avalia que a presença dos gogo boys é apenas a realização divertida de um fetiche, “sem nada de vulgar”, assim como a entrega de presentes de sex shops. “É uma forma de quebrar a caretice”.

Felling

“Cereja no bolo” das despedidas de solteira, como sublinha Íris, o stripper precisa ter feeling para saber a hora de terminar o show. “Na média, ficamos uma hora, mas geralmente há um tempo de validade. Não podemos perder o brilho da entrada para poder sair bem”, diz Pierre.

Na maioria das vezes, as convivas montam o playlist e cabe ao stripper dançar e tirar parte da roupa. Detalhe: boa parte das festas acontece em sigilo. “O sujeito não fica sabendo”, diz o dançarino, que já se vestiu de piloto do filme “Top Gun” para “homenagear” o futuro marido da dona da festa, aviador.

GILDA (1946)

Ok, Rita Hayworth só tirou as luvas de um braço, mas a sensualidade ao cantar "Put the Blame on Mame" entrou para o imaginário masculino



BARBARELLA (1968)

Logo na cena de abertura, Jane Fonda realiza um striptease futurístico, numa espaçonave com gravidade zero



ALIEN, O 8º PASSAGEIRO (1979)

Não é um strip proposital (ela só tem um alienígena malvado como companhia na nave), mas a cena em que Sigourney Weaver muda de vestimenta virou cult



9 1/2 SEMANAS DE AMOR (1986)

Kim Basinger protagoniza um striptease em ritmo de videoclipe, ao som de "You Can Leave You Hat On", de Joe Cocker



TRUE LIES (1994)

Ávida por sair da rotina do lar, Jamie Lee Curtis aceita ajudar um espião, chegando a fazer um caliente strip sem saber que o "alvo" é o próprio marido



UM DRINK NO INFERNO (1996)

A mexicana Salma Hayek se especializou em tirar a roupa em público. Além de dançar com uma serpente no terror "Um Drink no Inferno", ela deixa o corpo à mostra em "Americano"



STRIPTEASE (1996)

Demi Moore malhou bastante para exibir o corpo no filme de Paul Verhoeven, sobre mulher que trabalha numa boate para sustentar a filha



OU TUDO OU NADA (1997)

Eles são desempregados e feios, mas garantem o humor nas cenas que têm que tirar a roupa para ganharem uns trocados



CLOSER - PERTO DEMAIS (2004)

Indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel, Natalie Portman mexe com a cabeça de dois homens ao mesmo tempo (Jude Law e Clive Owen)



FAMÍLIA DO BAGULHO (2013)

Jennifer Aniston ousa na pele de uma dançarina que aceita a proposta do vizinho de se fingir de boa esposa

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