Destaque crescente no hip-hop, rapper Ebony lança versão de luxo do álbum 'KM2' com 7 novas faixas
Rapper fluminense adiciona sete faixas ao projeto original; nova versão utiliza brincadeiras e poesias para refletir sobre vivências na Baixada

A rapper fluminense Ebony lança nesta segunda-feira (6) a edição de luxo do álbum "KM2", trabalho originalmente publicado em maio de 2025. Com a adição de sete faixas, a nova versão utiliza poesias e brincadeiras infantis para conferir leveza a um disco considerado denso. A artista de 25 anos aprofunda reflexões sobre as vivências como mulher negra nascida e criada na Baixada Fluminense.
Em entrevista ao Hoje em Dia, a cantora explicou que a versão original do disco foi concebida sob a ótica do processo de amadurecimento. "Depois que ficou pronto, vi que o público infantil amou o álbum, muitas crianças fizeram trend no TikTok com as músicas. Fiquei refletindo sobre o disco ser sobre uma infância — e que foi dura —, mas que eu estava fazendo para adultos", afirma.
Novas sonoridades
A percepção de que crianças se identificavam com as composições motivou Ebony a produzir o material complementar. Segundo a artista, a intenção foi trazer um tom de maior esperança ao projeto, inserindo elementos lúdicos que tornam a audição menos rígida. "Trouxe brincadeiras de criança para as músicas inseridas nessa nova versão, que deixam o disco mais leve", explica.
A mudança de tom é evidente na sexta faixa da nova versão, "Rimo em qualquer batida". Com apenas 16 segundos, a canção foi antecipada nas redes sociais da rapper em um vídeo onde ela aparece brincando com um elástico enquanto entoa os versos. O recurso reforça a proposta de suavizar a densidade lírica característica do trabalho original.
Nova versão usa poesia para falar de feminicídio e homenagear ativista
“Eu tenho sangue ruim, eu resolvo sozinha. Tenho a cor do pecado, do pé na cozinha”. É recitando estes versos que Ebony inicia o “KM2 (De Luxo)”. A faixa de abertura, “SangueRuim”, marca a utilização da poesia como um recurso para expressar suas reflexões sobre ser mulher negra. Apontado pela cantora como resultado de um momento em que os casos de feminicídio atingem números cada vez mais alarmantes, o poema termina verbalizando: “Eu sou Deus. Mas, se eu morro, ninguém sente minha falta.”
A poesia também também é utilizada para expor as pesquisas e estudos de Ebony sobre mulheres negras. Na quarta faixa do disco de luxo, “Soujourner Truth”, a rapper conta brevemente sobre a abolicionista e ativista que entrou para a história ao vencer uma ação judicial e recuperar o filho vendido ilegalmente. “Quando homens sufragistas alegaram que a fragilidade era inerentemente feminina, ela questionou: ‘e não sou eu uma mulher?’”.
A mesclagem entre as faixas novas e antigas constroem uma maior linearidade ao disco, mas mantendo a essência da artista. Para a rapper, a versão original do álbum, não tão organizada e explicada, espelha um pouco do que ela é. “Minha infância e minha adolescência foram muito misturadas, na minha cabeça fica tocando eletrônica, rap e jazz e tem gente recitando poemas e gritando, tudo ao mesmo tempo”, explica.
Ebony conta que primeiro compôs as novas canções para depois decidir onde elas seriam inseridas no “KM2 (De Luxo)”. “Ainda queria passar essa sensação da música estar ali apenas porque o resultado dela me deixa feliz, mas quis deixar mais palpável para conectar essas faixas.
“Dona de Casa”
A nova edição do disco traz também a canção “Dona de Casa”. Lançado pela cantora em dezembro de 2025, o freestyle (quando as letras são improvisadas na hora) aparece em duas versões: a original a uma à capella - apenas com a voz. Segundo Ebony, a canção traz referências que marcaram a trajetória nas rimas.
“Ela não tem exatamente um refrão, o que é uma característica que marcou toda a minha carreira - minha primeira música,‘BratZ,’ não tem refrão, ‘Glossy’ também não. Essa característica vem da inspiração que eu tenho no slam (batalhas de poesias faladas)”, conta.
Quem é Ebony?
Nascida em Queimados, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a rapper Milena Pinto de Oliveira ficou conhecida no Brasil inteiro pelo nome artístico, Ebony.
Aos 25 anos, ela se consolida como uma referência do estilo musical no país, não apenas pela caneta afiada na hora de compor as rimas, mas pelo posicionamento firme diante de questões sociais e políticas, principalmente no que se refere a ser uma mulher negra. Confira entrevista com a cantora concecida ao Hoje em Dia.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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