"Dilma Bolada", um olhar sarcástico sobre a presidente do país

Clarissa Carvalhaes - Hoje em Dia
Publicado em 13/05/2013 às 13:40.Atualizado em 21/11/2021 às 03:38.

No auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG, Jeferson Monteiro não perde a piada: “Gostei de ver! Muita gente aqui com a blusa cor vermelho PT”. Era só o começo. Afinal, o que esperar do criador de um dos perfis de redes sociais mais populares do país, o Dilma Bolada?

“Até tenho um perfil do Jeferson Monteiro, mas as pessoas não querem saber muito o que penso. Perdi o posto para a Dilma Bolada. Ela é a linda, é a diva, é a presidenta da nação. É para ela que as atenções estão voltadas”, brinca o estudante de publicidade, de 23 anos, que criou o perfil em 2010.

A conversa com o Hoje em Dia acontece nos corredores da Fafich, minutos antes de ele ministrar, para estudantes de Comunicação Social, a palestra “Tendências, Ideias e Práticas em Comunicação”, promovido pela empresa júnior Cria UFMG.

“Acho engraçado porque tenho todos os tipos de leitores. Dos dez aos 80 anos. Os que a amam (Dilma) e os que a odeiam. Fui informado há pouco que a Juventude do PSDB vai entrar com uma ação contra mim com a justificativa de que estou fazendo campanha eleitoral antecipada, mas gente, por favor, isso tudo é brincadeira”.

Férias forçadas

Em meio às preocupações que assombram Monteiro a certeza de que não são apenas os jovens tucanos que levam a presidenta Bolada a sério. “Já recebi e-mails de gente reclamando que não recebeu o Bolsa Família. Fico preocupado. Poxa, muita gente realmente acha que é o perfil dela mesmo”.

E para (tentar) evitar mais dores de cabeça nas eleições de 2014, ele já tem um plano na gaveta: “Vou mandar a Dilma Bolada sair de férias! Não encontrei solução melhor”. Para o estudante, dois fatores dão propriedade ao perfil. Um passa pela agenda cumprida pela Dilma Bolada – a mesma da Dilma verdadeira. O outro são os textos produzidos por ele.

“As pessoas me dizem que riem muito imaginando a Dilma correndo atrás das eminhas no Palácio do Planalto, brincando com o Boladinho (cachorro) ou até tratando a Marcela (Temer) como empregada. Sempre tento transmitir o ar severo que a Dilma real tem, mas acaba ficando engraçado, porque ela não é nem um pouco modesta. Ela é humana e as pessoas gostam de imaginar que a presidenta do seu país passa por rotinas como as delas”, entende.

Prêmio e emprego

Apesar de recusar propostas para propaganda, “Dilma Bolada” cresceu a ponto de ganhar o prêmio Shorty Awards de Melhores Mídias Sociais do Brasil (2012) e até arrumou um emprego para Monteiro na área de criação de conteúdo da produtora de vídeos Bananeira Filmes, no Rio de Janeiro, onde vive.

Detalhe: no ano passado, ele decidiu abandonar o curso de administração no sétimo período, tamanha a repercussão do perfil.

“Claro que gosto da Dilma, mas a criação do personagem não está relacionada à pessoa dela. Poderia ser qualquer um! Poderia ser o Aécio Neves – desde que ele fosse o presidente do Brasil. Se faria tanto sucesso como ela faz, bem, aí eu já não posso garantir”.

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