Diretor de muitos Oscars, Wyler é tema de Mostra

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 06/11/2017 às 18:02.Atualizado em 02/11/2021 às 23:34.
 (WARNER BROS/DIVULGAÇÃO)
(WARNER BROS/DIVULGAÇÃO)

Com Howard Hawks, John Ford e Frank Capra, o diretor William Wyler formou o quarteto de ouro de Hollywood entre as décadas de 30 e 50. Todos tinham em comum o gosto por gêneros diversos e ajudaram a forjar a narrativa clássica, mas Wyler acabou, com o tempo, ganhando menos reconhecimento que os outros.

“Os estudiosos têm aquele cacoete de celebrar mais os com traço autoral, mas Wyler era um autor à sua maneira, não chamando a atenção para ele”, registra Vítor Miranda, da gerência de Cinema do Palácio das Artes, que abrigará, a partir de amanhã, uma mostra de 16 filmes dedicada o diretor nascido alemão e naturalizado americano.

Em filmes como “A Princesa e o Plebeu” (1953) e “Ben-Hur” (1959), um dos maiores ganhadores da história do Oscar, o que se percebe é um realizador apaixonado por grandes histórias. “Os filmes acabavam sendo mais famosos do que ele, mas Wyler tinha grande prestígio, polimento técnico e um estilo narrativo muito claro”, analisa.

Miranda ressalta que Wyler não assinava os roteiros, mas a sua contribuição à construção das histórias era determinante para o sucesso dos longas-metragens que dirigiu. No currículo, foram mais de 70 trabalhos em cinco décadas, sendo que 16 deles estão presentes na mostra, que ficará em cartaz até 22 de novembro.

Como as exibições serão em DVD e Blu-Ray, a programação privilegiou os filmes mais conhecidos e disponíveis nos formatos. Constam, por exemplo, os três títulos que fez com a sua esposa, Bette Davis – “Jezebel” (1938), “A Carta” (1940) e “Pérfida” (1941) –o primeiro tendo valido à atriz um prêmio da Academia.

Wyler também era um ótimo diretor de atores, com faro para descobrir talentos do nível de uma Audrey Hepburn, sua protagonista em “A Princesa e o Plebeu”. Ela ganhou a estatueta, assim como Olivia de Havilland (“Tarde Demais”), Charlton Heston (“Ben-Hur”) e Barbra Streisand (“Funny Girl”), além de prêmio em Cannes para Terence Stamp (“O Colecionador”).

Wyler militou com desenvoltura em gêneros variados, indo do faroeste e dos filmes de guerra aos dramas românticos e às comédias. Os trabalhos no front eram reflexo de sua participação na Segunda Guerra Mundial, quando serviu a Aeronáutica americana realizando documentários de propaganda. Dois deles serão exibidos na mostra: “Memphis Belle - A Fortaleza Voadora” e “Thunderbolt”.

Ele também levou a guerra para ficção, em filme como “Rosa da Esperança” (1942) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946), duas obras que lhe renderam o Oscar de filme e direção. Este último é um épico de três horas em que acompanhamos o desdobramento de três histórias paralelas com veteranos de guerra.
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por