
Sérgio Pererê tem em Milton Nascimento umas de suas grandes referências musicais. Para o multiartista mineiro, homenagear Bituca foi algo natural e o trabalho nasceu em 2021, durante o período de isolamento social por conta da pandemia. Com banda e dez convidados, “Canto Negro para Milton Nascimento” foi transmitido pelo YouTube e no próximo dia 25 chega às plataformas digitais.
“Milton faz parte da minha vida há muito tempo. Da minha vida pessoal e também da minha família. E, claro, da minha carreira", ressalta Pererê, que cantou com Bituca no Lincoln Center, em Nova Iorque, em 2006.
"Nesse mesmo ano, fiz a peça ‘Bituca – O Vendedor de Sonhos’, que apresentamos no Rio de Janeiro’, e Milton foi assistir. Foram momentos emocionantes, que só aumentaram a importância dele para mim”, emenda.
O músico diz ainda que a ideia, agora, é que o disco seja um presente de fim de ano para os ouvintes, celebrando o Natal e as festas de Ano Novo. “Fiz algumas coisas neste formato, por conta da pandemia, gravadas com teatro vazio e transmitidas pela internet", relembra. "São materiais que acabaram não circulando de verdade e que, por isso, não criamos intimidade no palco. Fazer este lançamento agora é importante para mim, para os músicos e, principalmente, para o público”, afirma.
“Esse disco é quase como dizer: 'Milton Nascimento, presente'. Estamos dando de presente a nossa leitura de parte da obra dele. Para mim, também foi um presente imenso receber essas 10 participações no álbum, cada uma com uma energia, uma força e um talento”, complementa o artista mineiro.
Repertório escolhido a dedo
Como o título aponta, “Canto Negro para Milton Nascimento” traz um repertório que enfoca a relação das canções de Bituca com a África – destacadas pelos novos arranjos da banda e pelas nuances vocais de Pererê. “As músicas que compõem o disco trazem essa africanidade da obra de Milton Nascimento. Ressaltam determinadas células rítmicas, revelam um caráter especial desse canto negro”, afirma Pererê.
Na lista, entram canções como “Pai Grande”, “Cravo e Canela”, “Bola de Gude, Bola de Meia”, “Maria Maria”, “Morro Velho”, “Cio da Terra”, “Canção do Sal”, “San Vicente” e “Travessia”. “O resultado do show gravado foi tão rico que pareceu destinado a ser ressignificado e reapresentado no futuro. Por isso, o lançamento do disco agora, como presente de Natal, reforça essa ideia", avalia Pererê.
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