Nesta quarta-feira (6), o ator Lima Duarte ganhou repercussão nas redes sociais após uma série de críticas relacionadas ao discurso do ator na cerimônia do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em São Paulo, na última segunda (4). A fala controversa e interpretada como racista, aconteceu após ele ser homenageado pela associação com o prêmio de 75 anos de TV Brasileira.
Durante o discurso, o ator, de 96 anos, compartilhou uma memória de adolescência, que provocou reações quase imediatas das artistas negras que estavam presentes. "Um dia um moleque daqueles chegou pra mim e falou assim, 'vamos na zona?' (…) Ele falou, 'na Aimorés a mulher é cinco mirreis, na Itaboca a mulher é três'. Eu falei, 'vamos na Itaboca', ele falou, 'só tem preta'. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés", relatou Lima Duarte.
Em seguida, ao receber o prêmio de dança pelo projeto "Minas do Ouro - Performance monumento", a artista e coreógrafa Carmen Luz se pronunciou em defesa das mulheres negras, afirmando que elas não estão no mundo "para serem recusadas". Enquanto era amplamente aplaudida, Luz afirmou "Levantai-vos mulheres pretas! Celebramos as nossas presenças".
Além de Carmen, a atriz Shirley Cruz e a mineira Grace Passô, também aproveitaram o prêmio e o espaço no palco para ressaltar a importância das mulheres negras na cultura brasileira e exaltá-las.
Após a repercussão, o ator vem sendo criticado nas redes sociais em debates sobre a fala em contextos racistas e misóginos.
Lima Duarte se pronuncia após o ocorrido
Nesta quarta-feira (6), a equipe do ator, por meio de nota, informou ao Hoje em Dia que o relato de Lima Duarte era apenas para retratar uma realidade que ele viveu no passado.
“Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua. Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos.”
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