
Em “Divã a 2”, a idade da protagonista diminui, bem como a faixa etária de público que o filme de Paulo Fontenelle mira. No lugar de Lília Cabral, personagem central do primeiro “Divã” (2009), entra Vanessa Giácomo, que exibe problemas amorosos e domésticos que não se referem mais à meia-idade.
São mudanças acentuadas na trama e no target para se adequar ao perfil das comédias brasileiras atuais, o que, para os fãs do original, significa a perda de momentos dramáticos sobre uma esposa que achava ter um casamento estável antes de receber o pedido de divórcio, escorados no livro homônimo de Martha Medeiros.
“Divã” tem cenas divertidas, mas sem perder de vista o aprofundamento da personagem de Lília, tornando seus problemas mais reais. Além de tudo, é uma história que fala diretamente às mulheres. Já a segunda parte sublinha o humor leve, apostando nas típicas divergências de um casal sobre o papel de cada um numa relação.
O homem (Rodrigo Infante) só pensa no trabalho e se esquece dos compromissos familiares, enquanto a mulher parece não dar valor ao que ele faz. Essa preocupação em mostrar as duas realidades estampa outra mudança fundamental, não dirigindo-se somente a uma das partes, agradando assim a plateia masculina.
E não deixa de ser curioso que justamente essa parte encerre o filme de Fontenelle, num divã do terapeuta, como se desse a última palavra sobre o que aconteceu. Do filme anterior, só resta a constatação de que as mulheres podem, sim, substituir um homem com quem dividiu a cama por anos.
Porém, a moral não poderia ser mais masculina, já que o “homem perfeito”, no final das contas, não existe e é melhor analisar com mais calma o que seriam os defeitos do parceiro. Além de tudo, não existe nada mais “coisa de macho” do que dar valor à esposa depois de vê-la nos braços de outro, não é verdade?