
PARATY (RJ) - A política não é marco único da 11ª Festa Literária Internacional de Paraty, que encerra no domingo, com público estimado em 25 mil pessoas. Se as manifestações e até a derrocada do empresário Eike Batista estão nas mesas de debate, a arte em suas múltiplas versões também acompanha o evento.
A leitura, no entanto, não é puramente estética. Quando o crítico de arte britânico T. J. Clark ocupou a tenda dos autores na noite de quinta-feira para dissecar o quadro “Guernica” , de Pablo Picasso, pintado em 1937 em meio à guerra civil espanhola, classificou a obra como a visão “do terror”, dando a ela uma dimensão política.
Da mesma forma, o cineasta Nelson Pereira dos Santos rememorou os filmes baseados nas obras de Graciliano Ramos, “Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere”, lançados em DVD, com a cantora Miúcha, mesa oficial com patrocínio do Itaú Cultural. E ontem à noite, Maria Bethânia fez a mediação entre música e poesia declamando Fernando Pessoa.
O ensaísta italiano Roberto Calasso classificou o momento brasileiro como “delicado”, antes de debruçar-se sobre Franz Kafka e Charles Baudelaire na mesa com a suíça Jeanne-Marie Gagnebin. Um momento puramente literário, no compromisso da Flip de não se afastar (tanto) da literatura.
Na programação de hoje, o destaque é o poeta egípcio-palestino Tamim Al-Barghouti, que por pouco não consegue embarcar do Cairo rumo a Paraty, devido à crise no Egito. Ele debate com o brasileiro Mamede Mustafa Jarouche as relações entre arte e política no mundo árabe.