Do lixo à arte: plástico e papelão ganham novo significado na CASACOR Minas
Exposição com Pirilampos do Planeta e Petchó Silveira abre programação de galeria que terá novidades ao longo da temporada

Plásticos descartados e papelões que poderiam ir para o lixo ganham novo significado na CASACOR Minas 2026, que abre ao público neste sábado (15), na PUC Minas Lourdes, em Belo Horizonte. Os materiais são a base de “Do Ordinário ao Extraordinário”, primeira exposição da Galeria CASACOR Minas, que terá programação renovada ao longo da temporada da mostra, até 6 de outubro.
Apresentada pela ArtWish e com curadoria de Luana Caldeira, a exposição reúne o artista paraense Petchó Silveira e o projeto Pirilampos do Planeta, desenvolvido pelos artistas Flávio Carvalho e Lula Duffrayer. A mostra inaugural poderá ser visitada de 15 a 23 de agosto.
Embora trabalhem com linguagens diferentes, os projetos partem de materiais descartados para discutir problemas que permanecem depois que aquilo considerado sem valor deixa de ser visto. No caso dos Pirilampos do Planeta, embalagens e fragmentos de plástico são reorganizados e transformados em esculturas de forte apelo visual. O trabalho provoca uma pergunta sobre o que permanece no planeta depois que produtos deixam de ser desejados e consumidos.
Já Petchó Silveira utiliza o papelão como parte da própria narrativa. Morador da região central de Belém, no Pará, o artista observava pessoas em situação de rua recolhendo o material para utilizá-lo como cama, abrigo e proteção. Sobre superfícies marcadas por rasgos, dobras e cicatrizes, ele cria retratos de pessoas negras historicamente marginalizadas. O encontro aproxima duas questões: a urgência ambiental representada pelo plástico descartado e a social simbolizada pelo papelão utilizado como abrigo.
A exposição ocupa a galeria projetada pelas arquitetas Patrícia Naves e Mariana Queiroz e integrada ao projeto do Cria Café. A intenção é fazer com que a arte ultrapasse o papel de decoração e participe da discussão sobre arquitetura e as diferentes maneiras de habitar.
Uma exposição diferente ao longo da temporada
“Do Ordinário ao Extraordinário” abre uma programação que muda durante a CASACOR. A galeria receberá novos recortes artísticos praticamente a cada semana. Depois da ArtWish, a Galeria Tempus ocupa o espaço de 25 a 30 de agosto com a coletiva “Design Modernista”. Entre 1º e 6 de setembro, haverá uma exposição individual em homenagem a André Penna.
De 8 a 13 de setembro, a J&J Art Gallery apresenta coletiva com nomes como Yara Tupinambá, Fernando Pacheco, Benjamim, Sergio Machado, Sil da Capela, Leandro Gabriel e Jarnas Juarez. Na sequência, de 15 a 20 de setembro, a Galeria Papazoglu reúne Tati, Quim e Ismael da Ilha do Ferro. A Galeria Espaço Marte ocupa o local entre 22 e 27 de setembro, e a programação termina com exposição individual de Leonora Weissmann, apresentada pela AM Galeria de Arte, de 29 de setembro a 6 de outubro.
As obras de arte também ultrapassam os limites da galeria. No Interlúdio, de Estela Netto, aparecem trabalhos de Ricardo Carvão Levy, José Alberto Nemer e Daniel Mansur. Já o Living do Colecionador, de Myrna Porcaro, reúne diferentes artistas e linguagens.
Aço reciclado vira pavilhão e fica para a PUC
A preocupação com materiais e permanência também aparece fora da galeria. Um dos projetos que continuarão na PUC depois do encerramento da CASACOR é o Pavilhão Oca ArcelorMittal, assinado pelo escritório BCMF. Inspirada nas ocas indígenas como espaços de abrigo e convivência, a estrutura combina bases produzidas por impressão 3D em concreto com uma grande abóbada formada por 2,3 toneladas de aço. O vergalhão XCarb utilizado no projeto foi produzido com 100% de sucata metálica e energia renovável.
Gerente-geral de Marca e Relações Institucionais da ArcelorMittal, Juliana Machado explica que a intenção foi aproximar uma técnica construtiva ancestral de uma solução contemporânea e, ao mesmo tempo, retirar o aço da posição normalmente escondida dentro das estruturas. “A gente traz uma linguagem milenar com um conceito de inovação”, afirmou. Segundo Juliana, a ideia é que, depois da mostra, o pavilhão seja utilizado como espaço de convivência e inspiração para os estudantes da universidade.
O projeto faz parte de um conjunto de intervenções da CASACOR que permanecerão no campus. O circuito também inclui o Foyer PUC Minas e um novo projeto de iluminação das fachadas, pensado para valorizar os elementos Art Déco dos edifícios. A CASACOR Minas 2026 acontece de 15 de agosto a 6 de outubro, na PUC Minas Lourdes, na rua da Bahia, 2020.
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