
Minas Gerais, Amazonas, Bahia. Esses foram alguns dos estados visitados por Mário de Andrade em sua busca por descobrir as raízes do Brasil. As itinerâncias, realizadas de 1919 a 1929 por um dos principais expoentes do modernismo nacional, ajudaram a construir a identidade do movimento brasileiro. As jornadas ao território mineiro, em 1919 e 1924, são o mote do documentário “Uma Carta para Mário”, dirigido por Armando Mendz, que estreia nesta segunda-feira (31), às 19h30, no Cine Humberto Mauro.
A exibição, que é gratuita, integra as comemorações dos 120 do poeta modernista mineiro Carlos Drummond de Andrade. Os ingressos vão estar disponíveis na bilheteira do cinema 1h antes do início da sessão. O evento ainda conta com os filmes “Poeta de Sete Faces”, de Paulo Thiago, e “Umana Divina Geometria”, de Livia Raponi. O evento é parte das ações do programa “O Modernismo em Minas Gerais”.
O filme de Mendz parte de uma carta escrita por Luiz Ruffato a Mário de Andrade, em que o escritor de “Eles eram muitos cavalos” faz um relato das consequências da Semana de Arte Moderna de 1922 para a cultura de Minas Gerais e do país. O trabalho ainda conta com a participação do poeta mineiro Ricardo Aleixo, que interpreta trechos do poema “Noturno de Belo Horizonte”, escrito por Mário de Andrade a partir de sua visita à capital mineira em 1924.
Para o diretor de “Uma Carta Para Mário”, o filme é um registro afetuoso sobre o modernismo em Minas Gerais e seus desdobramentos. “Ao mesmo tempo em que marca uma efeméride - os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 – o trabalho resgata e reflete sobre o legado do movimento modernista, que pensava o futuro no presente, mas sempre buscando nas nossas raízes a identidade brasileira. Que não negava nossas contradições, mas tentava abraçá-las. Um pensamento que foi, é e sempre será importante, assim como o próprio movimento, fundamental para a cultura brasileira do século XX e que, ainda hoje, ecoa na luta pela diversidade, pela liberdade de criação e no pensar o Brasil como possibilidade, não problema”, explica Armando Mendz.
O documentário traz entrevistas do filósofo e escritor Daniel Mundukuru e dos pesquisadores Vera Casanova, João Antônio de Paula, Isabelle Anchieta, Rodrigo Vivas, Leonardo Castriota e Denise Bahia. O documentário aborda o contexto histórico das primeiras décadas do século XX para o modernismo nacional e reflete, dos primórdios do movimento aos seus desdobramentos na contemporaneidade, sobre o cenário da literatura, artes plásticas e arquitetura em Minas Gerais e no Brasil.
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