Duas exposições que chegam a BH propõem reflexão ao público visitante

Patrícia Cassese e Vanessa Perroni - Hoje em Dia
Publicado em 04/08/2015 às 07:05.Atualizado em 17/11/2021 às 01:12.
 (FOTOS: Bruno Senna/Divulgação)
(FOTOS: Bruno Senna/Divulgação)

O nome – “Escassez/Desperdício” – já fornece importantes pistas elucidativas ao propósito da exposição que se descortina ao olhar do público a partir dessa quarta-feira (5), no Museu de Artes e Ofícios. Até o dia 23, o público confere mais de 60 imagens e vídeos, produzidas por 34 fotógrafos, de 14 países, numa seleção fruto da segunda edição da premiação promovida pela empresa suíça Syngenta, e que teve como diretriz mostrar alguns dos desafios globais enfrentados nos dias atuais.

Segundo o roteiro traçado pela organização, o visitante será recebido pelos trabalhos do americano Mustafah Abdulaziz, vencedor da “Competição Profissional” com trabalhos que focam a questão da água, e que demandaram visitas a Serra Leoa, à Índia, ao Paquistão e às Etiópia. Na sequência, vêm os trabalhos de Rasel Chowdhury, que exibe seis imagens da urbanização desenfreada às margens do Rio Buriganga, em Dhaka, Bangladesh. A série “Consumo”, produzida pelo terceiro colocado, o inglês Richard Allenby-Pratt, é o passo seguinte.

Palestra

O fotógrafo alemão Benedikt Partenheimer, por seu turno, comparece com a série “Shiziazhuang, AQI 360”, retrato panorâmico de uma linha do horizonte extremamente poluída e quase irreconhecível da cidade de Shiziazhuang, China. Com ela, ele arrebatou o primeiro prêmio na Competição Aberta, seguido por Camille Michel (França) e Stefano De Luigi (Itália), que também têm séries expostas. Stefano, aliás, virá a BH dia 11, para palestra aberta ao público.

Em entrevista ao Hoje em Dia, Stefano disse que o que persegue é que o público, ao observar seus cliques, possa se questionar. Deixar a zona de conforto. “Não tenho, de modo algum, a pretensão de dar as respostas certas, mas se o visitante, ao sair, tiver perguntas a se fazer, se ele se questiona sobre aquilo que viu... Então, posso me considerar satisfeito”.

O italiano acrescenta que, de um modo geral, seu trabalho sempre girou em torno de temas de caráter sociológico. “Contemporâneos, eu diria”. Já há alguns anos – “especialmente após a minha experiência no Quênia” – ele acabou se flagrando envolvido em trabalhos que dizem respeito ao meio ambiente e à sua proteção, bem como à sensibilização junto ao grande público.

“Escassez| Desperdício” – De amanhã ao dia 23, no MAO (Praça Rui Barbosa, 600). Terça e sexta, de 12 às 19h, quarta e quinta, de 12 às 21h, sábado, domingo e feriado, de 11 às 17h. Entrada gratuita

Fotógrafo registra ‘magrelas’ abandonadas em ruas europeias

Duas exposições que chegam a BH propõe reflexão ao público visitante

Para muitos ciclistas, a Europa é o lugar perfeito para pedalar, pois oferece infraestrutura e segurança nos mais de 70 mil Km de ciclovias. Mas o paraíso do pedal guarda uma realidade não tão solar. O fotógrafo mineiro Bruno Senna, 32 anos, revela esse lado B das “magrelas” na exposição “A Morte das Bicicletas”, que abre nesta terça-feira (4), no Café com Letras Savassi.

Em uma viagem de dois meses, Bruno percorreu três países: Alemanha, Itália e Holanda. Em todos eles, se deparou com um mesmo cenário. “Comecei a ver muita bicicleta abandonada. As pessoas lá simplesmente ignoram isso. Quando elas estragam, são deixadas em qualquer lugar na rua”, conta.

Essa realidade despertou, no fotógrafo, a vontade de registrar esse abandono e, assim, provocar uma reflexão. “A exposição fala da morte das bicicletas em uma realidade que não é nossa. Mas isso pode motivar as pessoas de Belo Horizonte a olhar de outra forma para esse meio de locomoção”, entende.

Incentivo

Entusiasta do uso das bicicletas, o moço faz de tudo para fugir do trânsito e incentivar o uso da “magrela”. Das 16 fotos expostas, duas lhe falam mais alto. Uma – a primeira dessa série – foi feita em Berlim. “Nela, a bicicleta está na beira de um rio e há muitos moluscos nela. Parece uma escultura viva”. A outra, feita em Amsterdã, flagra uma bicicleta abandonada ao lado de uma árvore. “A bicicleta parece que foi coberta pela árvore que cresceu sobre ela”, comenta Bruno, que interpreta a cena como a vida engolindo a morte. “Comecei a ver como arte essa ação do tempo”.

Custo baixo

Um dos motivos que explica essa situação na Europa é o custo baixo das bicicletas por lá. “São muito baratas e acabam sendo descartáveis quando estragam. O que não ocorre no Brasil”.

O lugar onde mais se deparou com bicicletas abandonadas foi na Holanda. Em Amsterdã, Bruno conta que os moradores chegam a jogar as bikes no rio (a prefeitura as retira). No Brasil, as pessoas reformam a bicicleta para reutilizar, observa Bruno, que pretende dar continuidade à série. “Aqui, há um aumento no incentivo do uso de bicicleta e uma luta para a melhoria da infraestrutura. Em BH, há muitos grupos de pedal”, registra ele, para, em seguida, brincar: “Você não pode comprar felicidade, mas pode comprar uma bicicleta”.


Exposição “A Morte das Bicicletas” no Café Com Letras (rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi). Visitas de segunda a quinta, das 12h à 0h; sexta e sábado, das 12 à 1h, e aos domingos, das 17 às 23h. Até 25/8

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