E se Jesus voltasse à terra como transexual? essa é a pergunta que move o monólogo de Jo Clofford

Vanessa Perroni
vperroni@hojeemdia.com.br
Publicado em 20/05/2016 às 18:16.Atualizado em 16/11/2021 às 03:32.
 (Rod Penn / Divulgação)
(Rod Penn / Divulgação)

Em tempos de intolerância, o exercício de reflexão sobre a sociedade e seus rumos se faz ainda mais necessário. Na programação do FIT-BH, esse desejo se faz presente em espetáculos que ampliam o diálogo ao romper com o que seria socialmente aceito. É o caso de “The Gospel According To Jesus, Queen Of Heaven”, cartaz hoje, domingo e segunda, no Museu Mineiro.

A peça – já com ingressos esgotados – aborda o que aconteceria se Jesus voltasse à Terra como uma mulher trans. Escrita e encenada pela dramaturga escocesa trans Jo Clifford, de 65 anos, é um convite ao público para imaginar um mundo mais tolerante e igualitário. Um monólogo no qual Jesus profere seus ensinamentos, em especial no que se refere a aceitação e amor ao próximo. 

A motivação para escrever a peça veio de um questionamento pessoal. “Queria entender o porquê de a igreja e os religiosos serem tão intolerantes com pessoas como eu. Não fazia sentido para mim”, conta a atriz, que foi estudar a Bíblia em busca de respostas. 

Nessa saga ela descobriu que antes das pessoas adorarem Deus, elas se voltavam para a figura da mãe. “Os seguidores de Deus se esforçaram muito para apagar a imagem dessa Mãe”, salienta Jo, que por muitos anos tentou suprimir o que era feminino em si mesma. “Tentei fazer a mesma coisa comigo, até dar conta de que era trans. Há um paralelo entre essas duas situações. Então escrevi uma peça que contava minha história e a história de Deus”, elucida. 

Se eu vivesse numa sociedade mais humana, tenho certeza que tudo teria sido diferente

O espetáculo foi levado aos palcos pela primeira vez em 2009, dentro de uma igreja em Glasgow, na Escócia, e desde então enfrenta resistência. “Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. E o homem cria Deus a sua imagem e semelhança. Só que o homem é preconceituoso, racista, homofóbico, então o seu Deus vai ser da mesma forma”, analisa.

Com mais de 80 peças no currículo, Clifford tem como preocupação levar a mensagem de tolerância por onde passa. Como alguém que sempre sofreu preconceitos, a atriz baseia sua arte no amor. 

Leia mais:

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por