ARTE

Edição de despedida do Cura na Praça Raul Soares terá empena assinada por Ailton Krenak

Última edição no espaço que recebe evento desde 2001 será entre os dias 19 e 30 de agosto

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 06/08/2026 às 19:56.Atualizado em 06/08/2026 às 20:25.
Líder indígena mineiro assina uma das empenas do Cura neste ano (Wikimedia/Coletivo Garapa)
Líder indígena mineiro assina uma das empenas do Cura neste ano (Wikimedia/Coletivo Garapa)

Neste ano, o Circuito Urbano de Arte (Cura) terá uma das obras assinada pelo líder indígena e pensador mineiro Ailton Krenak. O festival, que promove pinturas nas empenas de prédios e transforma a paisagem em um museu a céu aberto, ocorre de 19 a 30 de agosto, na Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte.

Esta será a última edição na Praça Raul Soares, onde o Cura é realizado desde 2001. A despedida marca também a preparação para 2027, quando o festival completa uma década. Além de Krenak, a pintora e desenhista Mônica Nador, de Ribeirão Preto, também assina uma empena. O evento contará ainda com pinturas ao vivo dos artistas Tina Soul, Efe Godoy, Nica, Dalata, Tot e Fhero, no dia 26 de agosto. 

"Descansar Enquanto" é tema da edição de 2026

O tema da edição é “Descansar Enquanto”. A frase inacabada é um gesto em suspensão e, também, um convite ao movimento. Descansar é verbo de ação. Em uma sociedade atravessada pelo excesso de estímulos, informações e urgências, o festival propõe o descanso não como pausa, mas como posicionamento: um direito ainda não garantido, atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. A reflexão dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da norte-americana Tricia Hersey, para quem o descanso é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão.

Pela primeira vez, o conceito curatorial foi construído coletivamente. O festival criou uma Comissão Criativa formada pela curadora convidada Luciara Ribeiro, da Bahia, e por pessoas que pensam, vivem e pesquisam BH: integrantes de coletivos, pesquisadores, produtores e agentes culturais - Alex Bessas, Filipe Thales, Ed Marte, Brisa Marques, Binho Barreto, Márcia Cruz, Priscila Musa, Vanessa Beco, Daru Tikuna, PDR e Victor Diniz - que se reuniram no início do ano para desenhar a edição.

“Passamos os últimos anos escutando a Raul Soares. Encerrar esse ciclo em coletivo, falando de descanso, é coerente com tudo o que a praça nos ensinou: a cidade também precisa respirar”, afirma Priscila Amoni, uma das idealizadoras do festival, que junto a Janaína Macruz está à frente do Instituto Cura.

Criado e dirigido por mulheres, o Cura chega a 2026 com a equipe majoritariamente feminina. As pinturas começam no dia 19 e podem ser acompanhadas pelo público diretamente da praça. De 26 a 30 de agosto, a programação aberta ocupa a Raul Soares e outros espaços da cidade com atrações que unem arte, música, esporte e convivência, incluindo o highline entre os prédios do hipercentro. 

SERVIÇO

CURA 2026 – Festival de Arte Urbana

De 19 a 30 de agosto | Praça Raul Soares e outros pontos de Belo Horizonte

Pinturas a partir de 19/08 | Programação aberta ao público de 26 a 30/08

Gratuito

*Estagiária, com informações de Renato Fonseca

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