Egberto Gismonti se apresenta no Teatro Bradesco, pelo "Savassi Festival"

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 22/08/2014 às 07:32.Atualizado em 18/11/2021 às 03:53.
 (Ziga Koritnik)
(Ziga Koritnik)

O grande trunfo de uma apresentação solo é a total liberdade de quem assume o palco. Por isso, Egberto Gismonti não tem a menor ideia de como será seu show neste sábado (23), no Teatro Bradesco, pelo “Savassi Festival”. Sabe apenas que terá, em mãos, o piano e o violão. “O importante é que gosto de tocar em lugares nos quais me sinto em casa. E isso acontece em Minas. O interessante do solo é que não há nenhuma pirotecnia, mas acaba sendo uma apresentação singular”, afirma.

O artista passa pela capital mineira no momento em que propõe ao mercado uma nova maneira de divulgar a música. Em vez de se preocupar em registrar novos discos – ele possui a incrível marca de 68 lançados em quatro décadas –, a preocupação está em difundir ainda mais seu trabalho por meio de álbuns de valores mais acessíveis.

“Não tenho mais a preocupação em fazer disco de maneira tradicional. Quero é dar música gratuitamente aos responsáveis pela minha vida profissional, ou seja, ao meu público. No Japão, acabo de lançar uma caixa com 18 discos que, na verdade, tem o preço de uma caixa com quatro álbuns”, explica o artista fluminense, que lota salas de concerto e casas de shows pelo mundo – por sinal, toca em Nova York no dia 12 de setembro pelo “Savassi Festival NY”.

Veja bem: dar gratuitamente sua música não significa disponibilizá-la na web (como Gilberto Gil, por exemplo), mas facilitar a circulação via disco físico. A intenção é produzir CDs que possam ser entregues de graça – ou por baixo custo.

“Tenho uma relação com disco diferenciada. Sou de uma época em que o disco era mais do que música, também tinha uma conotação de desenho, fotografia e texto. Luto para não perder isso, para que o ouvinte possa ter o máximo de informações sobre aquela produção”, diz Gismonti.

Por enquanto, seu esforço é levar, para o exterior, o material que foi lançado apenas aqui, e vice-versa – trazer para o Brasil o que saiu apenas na Europa. Em 2012, por exemplo, um belíssimo material inédito foi retirado da gaveta: “Mágico: Carta de Amor” (ECM/Borandá), que traz um encontro entre ele, o saxofonista norueguês Jan Garbarek e o baixista americano Charlie Haden, em 1981.

“Tocamos por muito tempo e gravamos muitos discos. Fizemos essa apresentação, que foi uma beleza, mas uma semana depois, houve um desencontro entre o Jan e o Charlie. Eles ficaram sem se falar e desistimos de lançar o álbum. Passados 30 anos, o produtor me ligou dizendo que os dois decidiram fazer as pazes, e que poderíamos lançar finalmente o trabalho. Tenho outras apresentações gravadas que podem virar álbuns”, avisa. E o público, claro, agradece.

Egberto Gismonti no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes), neste sábado, às 20h30. R$ 40 e R$ 20 (meia)

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