
Empresária do setor editorial e presidente da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa é signatária do pensamento de que os livros transformam pessoas – portanto, têm potencial para transformar o mundo. “Um povo mais instruído cuida melhor de sua saúde, valoriza o ensino, repudia a violência”, acredita ela que, neste Dia Mundial do Livro, conversou com a reportagem do Hoje em Dia.
Qual é a importância do livro no mundo hoje?
O livro, em sua essência, é um agente de transformação. Sem dúvida, um povo mais instruído cuida melhor de sua saúde, valoriza o ensino, repudia a violência, a discriminação e a intolerância, trabalha com mais produtividade e tem maior consciência ambiental.
Como vê o cenário do livro hoje no Brasil? Estamos formando “bons” leitores e bons escritores?
Costumo dizer que o Brasil não é o país dos nossos sonhos em termos de leitura, mas o mercado e suas entidades representativas estão trabalhando para torná-lo uma nação de leitores. Tenho convicção de que o ponto chave do problema passa pela educação e, por isso, uma das prioridades de minhas gestões tem sido a participação ativa da CBL nos debates e discussões nacionais, envolvendo políticas públicas de incentivo ao livro e à leitura. Uma boa notícia é que um dos segmentos que mais tem apresentado crescimento nos últimos anos é o do livro infantojuvenil. As crianças e os adolescentes de hoje construirão o futuro de nosso país. Se elas estão adquirindo o hábito de leitura desde cedo, então teremos cidadãos conscientes, pois não tenho dúvida de que o livro tem o poder de transformação. Além disso, nossa produção editorial é de extrema qualidade, com excelentes escritores.
Quanto ao respeitado Jabuti, mesmo que o valor do prêmio não seja dos maiores no país, a que a senhora atribui tanta fama dele?
Pela seriedade com que vem sendo realizado até hoje nos seus 56 anos de existência. Sempre organizado com a maior lisura e transparência, o Jabuti renova-se, permanentemente, cumprindo sua missão principal de promover o livro, conferir visibilidade à produção editorial brasileira, reconhecer talentos e revelar novos escritores.
Qual é o principal desafio da CBL hoje no Brasil? Há algum planejamento para solucioná-lo?
A principal meta da entidade é lutar pela democratização do acesso ao livro e à leitura. Neste sentido, promove diversas ações, entre elas, a realização da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que este ano terá sua 23ª edição, de 22 a 31 de agosto, no Parque Anhembi, em São Paulo. A entidade também apoia feiras em todo o País e, em todas as frentes, estimula e promove o hábito de ler, como ocorre com o Prêmio Jabuti, já comentado. A causa da disseminação da leitura nos coloca, também, alguns desafios. Um deles é a criação de políticas mais vigorosas para revitalizar as bibliotecas públicas. O fortalecimento do mercado editorial passa, ainda, pela geração de negócios e a promoção da imagem institucional do livro e das editoras brasileiras, inclusive no mercado internacional, como vem sendo feito, em especial por meio do programa Brazilian Publishers, convênio da CBL com a Apex Brasil. Outra lição de casa das editoras é potencializar o Vale Cultura, cujas metas são ambiciosas e substantivas, como oportunidade para que mais brasileiros passem a ler.