
A negritude e o discurso de resistência já faziam parte dos trabalhos de Ellen Oléria. Agora, a artista resolveu ir além: reforçar essas características com uma sonoridade contemporânea, dialogando com sintetizadores e música eletrônica. O resultado é o álbum “Afrofuturista”, que a artista brasiliense – agora radicada em São Paulo – acaba de lançar.
“Talvez a grande diferença deste trabalho para os anteriores é uma presença mais plástica na minha visita sobre ritmos ancestrais. Com eles, aparece ainda uma guitarra distorcida, pandeiros e atabaques misturados a muitas camadas de sintetizadores”, diz a cantora, que ficou conhecida nacionalmente após vencer a primeira edição do programa “The Voice Brasil”, em 2012.
“Vivemos várias ondas, como a Bossa Nova, o pagode, o axé. Agora é o sertanejo. Todos têm contribuição na construção da cultura brasileira, mas a massificação acaba apagando as nuances da arte”
Ela ressalta que a construção de “Afrofuturista” teve um processo bem coletivo. Ela credita a sonoridade do álbum aos vários convidados, como o percussionista Gabi Guedes, da prestigiada Orkestra Rumpiless. “O Gabi Guedes trouxe elementos do candomblé, da cultura de terreiro. Ele tem uma relação muito próxima com a Casa de Mãe Menininha, com os atabaques”, conta Ellen. “A (cantora) Yusa participa do disco e assina uma canção comigo e a Roberta Estrela d’Alva trouxe a linguagem do hip hop, da concepção urbana de São Paulo”.
Nave, um dos mais requisitados DJs do país, participa com uma versão remix para a faixa “Afrofuturo”.
Independente
Ellen é uma artista independente por opção e convicção. Cantora, musicista e atriz, ela teve uma grande oportunidade de estar no mainstream por conta do “The Voice”, mas não se sentiu à vontade com todo aquele universo de grande gravadora.
“Fiquei conhecida na Universal como indomável”, deixa escapar Ellen durante a entrevista. Ela tenta ser cuidadosa ao mostrar como prefere não aderir ao sistema das grandes corporações. “Sempre cuidei de mim, gosto da liberdade de decisão. Essa coisa de fazer algo com muitas pessoas mandando é muito complicado. Fico mais à vontade num sistema horizontal”.