
Medo de metralharem sua casa, Elza Soares não tem mais. Na década de 1970, quando questionava as ações do governo militar, entendeu os disparos como um aviso e preferiu se exilar na Itália, com o marido e ex-jogador Garrincha e os filhos. Quatro décadas depois, aos 78 anos, a palavra “temor” não consta do dicionário da diva.
“Não estou fazendo nada de errado, por que teria medo?”, indaga Elza, que sobe ao palco do Grande Teatro do Sesc Palladium, no próximo sábado, para mostrar o show “A Mulher do Fim do Mundo”, mesmo título do aclamado álbum lançado em 2015. Um sucesso que nenhuma cantora da sua idade experimentou em outro tempo.
O repertório, com músicas do novo trabalho, é o mesmo de quando estreou a turnê. “Em time que está ganhando não se mexe. A turma canta comigo as músicas do início ao fim”, registra Elza, que acrescentou, sim, opiniões políticas entre uma canção e outra. E, promete, em Belo Horizonte não será diferente.
Consciência melhor
“Estamos na luta. E a todo show a reação tem sido assim, boa e agradável”, garante. Recentemente, foi destaque nos jornais, após show no Circo Voador, no Rio de Janeiro. “Paz! Democracia! O meu partido é o povo”, gritou, endossando o coro de “Não vai ter golpe!”, mesmo quando ao seu lado estava um Caetano Veloso sem-graça.
As músicas de “A Mulher do Fim do Mundo” têm conteúdo fortemente feminista e contra o racismo. Mas, em momento de ebulição política, elas parecem reverberar de outra maneira. “O que estamos buscando, em essência, é uma consciência melhor. Estamos lutando por pessoas que não têm direito a nada, como os negros, as mulheres e os gays”.
Adepta do lema “é preciso lutar para chegar a algum lugar”, Elza afirma que não há tempo para fazer mais nada a não ser cantar. Mas dedicou um tempinho para participar do documentário “My Name is Now, Elza Soares”, dirigido pela mineira Elizabete Martins Campos e ainda não lançado comercialmente.
“É um filme de arte, entendeu? É de uma diretora muito inteligente e trabalhadora”, elogia Elza, retratada também na produção “Estrela Solitária”, sobre Garrincha, em que Taís Araújo fez a sua personagem.
Serviço: “A Mulher do Fim do Mundo” – Sábado (9), às 21h, no Grande Teatro Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046). Entre R$ 40 e R$120