
Nos últimos anos, um grupo de músicos de São Paulo tem chamado muita atenção pelas experimentações sonoras e poéticas, abordando temáticas urbanas e ousadas somadas a guitarras distorcidas, contratempos rítmicos, ruídos. Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Marcelo Cabral e Celso Sim são alguns dessa turma. Essa produção vanguardista paulistana ganhou reverberação bem maior pelo Brasil agora graças à parceria com a eterna diva Elza Soares. “A Mulher do Fim do Mundo” (Natura Musical) é um álbum que celebra a união da bela interpretação da cantora com a ousadia musical de músicos que fazem jus ao termo “contemporaneidade”, citados no parágrafo acima.
ENCONTRO
A história da produção teve início em 2011, quando Cacá Machado realizou o lançamento do ótimo disco
“EslavoSamba”, que tinha tido a produção de Guilherme Kastrup e contava com vários integrantes da boa turma. Elza era convidada especial do show e não demorou a atrair um convite.
“A ideia inicial era de fazer um álbum de releituras de clássicos da carreira dela, com os nossos arranjos. Depois que tivemos o projeto aprovado, veio a ideia de fazer um disco de inéditas, afinal, esse grupo é composto por grandes compositores”, diz Kastrup, que assumiu a produção do projeto e contou com Romulo Fróes e Celso Sim (que também participa cantando) como diretores artísticos.
No repertório, estão músicas feitas especialmente para Elza Soares, assinadas por José Miguel Wisnik, Cacá Machado, Clima, entre outros. São letras contundentes, que abordam abertamente assuntos bastante espinhentos: violência doméstica, narcodepen-dência, morte, etc.
IMPACTANTE
Vinte canções haviam sido entregues à Elza e ela, com os diretores, escolheu as 11 faixas gravadas. “Eu disse: quero uma coisa impactante. Nada que seja parecido com que já ouvi. Está aí o resultado: músicas falando de violência, das drogas. É um trabalho muito forte”, conta Elza Soares, que aos 78 anos de idade planeja viajar pelo Brasil com o novo show.
A cantora não ficou impressionada apenas com a qualidade dos artistas que estavam em seu entorno, como também com a ternura com que a trataram. “A gravação teve um clima leve, o Guilherme foi um produtor sensacional. Foram muito carinhosos comigo porque perdi meu filho (Gilson Soares, de 59 anos, morto no fim de julho) e fiquei sem chão.
Precisava muito de coisas que me trouxessem de volta à terra”, conta Elza, que viu na música um remédio para apaziguar a dor.
Baixe em naturamusical.com.br