Em ‘3 Dias para matar’, Costner tenta fazer rir

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 19/01/2015 às 10:03.Atualizado em 18/11/2021 às 05:42.
 (Divulgação)
(Divulgação)

Um agente secreto louco para se aposentar recebe a sua última e mais importante missão. Além disso, tem que mentir para a família sobre sua atual profissão e enfrenta problemas mais difíceis de contornar, como uma filha adolescente rebelde.

A junção de dois temas recorrentes em filmes do gênero comédia policial, muito em voga nas décadas de 80 e 90, é o combustível de “3 Dias para Matar”, protagonizado por Kevin Costner e lançado recentemente em DVD pela Califórnia.

Nesse estilo, as tramas policiais são sérias, com desenvolvimento e desfecho. A comicidade fica a cargo do protagonista, em sua maneira de encarar os obstáculos. Geralmente é um louco como o personagem de Mel Gibson em “Máquina Mortífera”.

Na época em que viveu o auge da carreira, exatamente quando as comédias policiais estavam em alta, Costner não participou, curiosamente, de nenhuma produção do gênero. Seus papéis eram de heróis atormentados ou de românticos incuráveis.

Costner consegue responder à altura, tornando crível nos instantes em que o roteiro exige ação, na pele de um exímio matador; humor, quando é obrigado a estar em vários lugares ao mesmo tempo para dar conta das responsabilidades de agente e pai.

A sua construção é convincente e de fácil identificação, porque não é incomum alguém ser acusado de ser um ótimo profissional, mas um desastre como provedor do lar. O problema é que o roteiro não consegue trabalhar esse divertido contraste.

Assinado pelo francês Luc Besson, o mais americano dos realizadores europeus, o texto aposta menos nessa costura interna entre a vontade de Ethan Renner deixar de trabalhar para a CIA e se reconciliar com a família que abandonou.

E tudo acontece em Paris, onde tem que liquidar bandidos e, ao mesmo tempo, passear de bicicleta e jantar com a filha que não o respeita como pai, levando-o a um corre-corre pelas ruas da Cidade Luz.

Ar Moderminho

Diretor de “As Panteras” e “O Exterminador do Futuro – A Salvação”, McG se escora demais nesse luta contra o relógio, em sequências cheias de clima e vazias de conteúdo. No início, pode até injetar um ar moderninho ao filme, mas logo cansa por sua pura repetição.

O lado policial é o que mais sofre com isso, pois a contratante de Ethan (Amber Heard) é uma misteriosa agente que muda de cabelo e comportamento a cada encontro. Era para ser o contraponto jovem e sádico do veterano, mas essa ideia não se impõe.

Pelo lado terno e cômico, faltam diálogos mais elaborados e timming na condução de McG, que já obteve melhor resultado nas comédias policiais em “Guerra é Guerra!”, estrelado por Reese Whitespoon e Chris Pine.
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por