
Carlos Aleixo mal tinha largado as fraldas quando avisou aos pais sobre o que esperava para o seu futuro: “Quero ser famoso, muito famoso, quando crescer”. Na época, aos três anos, ainda morava em Belo Horizonte e já chamava a atenção nas aulas de música com seu tamborzinho.
Oito anos mais tarde e um punhado de comerciais no currículo, exibindo um sotaque gauchesco após fixar residência em Porto Alegre, ele está no meio da estrada, em direção ao Balneário Gaivotas, na vizinha Santa Catarina, quando atende a reportagem do Hoje em Dia.
São 9 horas e Carlos está de pé desde cedo para o último dia de filmagens de “Anita”, de Olindo Estevam. Ele interpreta um dos irmãos da protagonista Anita Garibaldi em sua fase jovem, antes de se tornar a “heroína dos dois mundos” ao participar da guerra farroupilha, no século 19, ao lado do marido Giuseppe.
“Ela foi uma guerreira. Ninguém sabia direito como ela viveu antes disso e é isso que o filme busca mostrar”, destaca Carlos, ainda no carro dirigido pelo pai, Marco Antônio. No veículo, a família está completa.
Além da mãe, Cristiane, que o acompanha em todos os testes, também estão as irmãs gêmeas Laura e Letícia, de oito anos, e o irmão Jhoão Pedro – Carlos faz questão de assinalar a grafia correta do nome do caçula.
Copa de Elite
É Carlos quem pede aos ocupantes para cumprimentarem o repórter em alto e bom som. Um demorado “oi” se ouve do outro lado. Apesar da descontração, não desgruda do texto com suas falas. “Tem que ter concentração”, justifica o garoto, que também está no elenco da comédia “Copa de Elite”.
Recém-lançado nos cinemas, o filme é uma paródia de vários sucessos brasileiros recentes. Carlos participa da brincadeira com “2 Filhos de Francisco”, sobre a trajetória de Zezé Di Camargo e Luciano. Ele interpreta Pitãozinho, fazendo o vilão Rafinha Bastos em sua infância.
Com o comediante, por sinal, Carlos já tinha dividido cena no seriado “A Vida de Rafinha Bastos”, exibido na Fox. Na telinha, foi visto ainda na série “Doce de Mãe”, série da Rede Globo protagonizada por Fernanda Montenegro e produzida pela Casa de Cinema de Porto Alegre.
Incursão pelas artes surgiu como remédio
Diante da hiperatividade de Carlos Aleixo, quando ainda era bebê, a pediatra prescreveu um “remédio”, cujo único efeito colateral foi aumentar a sua paixão pelas artes.
“Não era um remedinho qualquer. A médica me pediu para que o colocasse em aulas de música, para que fosse se acalmando. Funcionou”, lembra a mãe Cristiane.
Em pouco tempo, ele já escrevia suas próprias composições. “E ele faz letra e música, tudo certinho”, assinala. Além do tambor, seu primeiro instrumento, toca ainda teclado, flauta e violão.
Azar o Seu
“Comecei a compor com dez anos. É muito legal ser ator e cantor. É a carreira que quero seguir”, destaca Carlos, que está muito longe de ser “cantor de chuveiro”.
Basta entrar no You Tube e digitar “Azar o Seu”, videoclipe de sua primeira gravação, postada em setembro do ano passado e que contabiliza 60 mil visualizações.
O fato de, já no seu primeiro festival (o Canto Livre Estudantil), ficar entre os finalistas competindo com mais de 500 participantes serviu como grande estímulo para continuar compondo.
Beethoven
Quando os pais perceberam que ele iria mesmo se enveredar pelas artes, ficaram preocupados. “Como tinha escolhido seu meio de vida, precisava ter conteúdo e o inscrevemos em aulas de teatro”.
Aos cinco anos, Carlos se apresentou, pela primeira vez, num teatro lotado. Um ano depois, participou na escola de música de um recital tocando a Nona Sinfonia de Beethoven no teclado.
Agora ele tenta se aprimorar no inglês, imaginando voos mais altos no futuro. Recentemente participou de um teste para um filme da Fifa, sobre o futebol brasileiro, usando o idioma de Shakespeare.
Irmãos também se aventuram no set
É na cinebiografia de Anita Garibaldi que o ator mirim tem a sua grande oportunidade. Para fazer bonito, ele recebeu aulas para caprichar no sotaque “bem roceiro”. Não bastasse, ainda aprendeu a dirigir uma carroça e a montar sobre uma mula. “Já sabia andar a cavalo, mas mula é diferente”, faz questão de registrar.
O filme de Olindo Estevam, previsto para estrear em agosto, durante a programação do Festival Internacional de Cinema de Gramado, também possibilitou a Carlos trabalhar com outro mineiro, o ator Jackson Antunes, além de outros famosos, como José de Abreu, Neusa Borges, Germano Pereira e Walter Breda.
Enquanto interpreta Manoel Ribeiro, um dos irmãos da heroína catarinense, Laura, irmã de Carlos, viverá Anita Garibaldi na infância. A outra irmã, Letícia, também faz parte do elenco, no papel de Maria Antonia Ribeiro.
Mineirinho
A única exigência dos pais é que Carlos não se descuide da escola. Cristiane conta que eles matricularam o garoto num colégio que pudesse ampará-lo quando precisasse faltar às aulas, oferecendo trabalhos on line. “E ele vem dando conta. É um bom aluno”, orgulha-se Cristiane.
A família está na capital gaúcha há três anos, após Marco Antônio passar num concurso. O pai foi criado no São Geraldo e a mãe na Floresta, região Leste de BH. Antes de fincarem raízes no Sul, moraram na cidade fluminense de Resende – origem dos outros três filhos. “Sou o único mineirinho”, ressalta Carlos.