Em show hoje à noite, David Byrne põe 'a casa abaixo'

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 28/03/2018 às 17:16.Atualizado em 03/11/2021 às 02:04.
 (CAMILA CARA/MROSSI/DIVULGAÇÃO)
(CAMILA CARA/MROSSI/DIVULGAÇÃO)
Se fosse contar o número de pessoas que dançaram ao som do grupo Talking Heads em mais de 20 anos do bar A Obra, o proprietário Claudão Pilha calcula que já estaria com um Mineirão cheio. A música da banda liderada pelo vocalista David Byrne nas décadas de 70 e 80 é habitué da programação da casa belo-horizontina.
 
A presença de Byrne na cidade, em show que acontece hoje no Km de Vantagens Hall, reacende as lembranças de uma época efervescente na cena rock’n’roll. “Tinha de tudo um pouco. The Cramps, Ramones, Blondie... Era muita música nova”, recorda Claudão, que participava, naquele tempo, de uma banda punk chamada Os Meldas.
 
Ele lembra da pecha de “banda yuppie” que foi colada no Talking Heads, além das críticas à qualidade vocal de Byrne. “O que ficou para mim, além das criação de videoclipes inovadores, a facilidade como faziam músicas de qualidade. Fizeram coisas para ficar, mas que pareciam sair ao acaso, sem grande esforço”, analisa.
 
No show desta noite, também apresentado no festival Lollapalooza, no sábado, em São Paulo, o ex-vocalista não deixará de fora clássicos da época. Em uma dinâmica de performance artística, acompanhado por 11 pessoas, entre elas três percussionistas brasileiros, Byrne põe a galera para cantar e dançar clássicos de uma era como “This Must Be the Place”, “Once in a Lifetime” e “Burning Down the House”.
 
Sem parar
“Não tem ‘Psycho Killer’ (hit maior do artista), mas não chega a fazer falta. De pés descalços, liderando uma trupe que toca, canta e dança sem parar, ele contagia o público com canções que criticam a sociedade ocidental e ecoam sonoridades africanas, caribenhas e brasileiras”, pontua o jornalista cultural Roger Lerina, sobre o show realizado em Porto Alegre, na semana passada.
 
Para o crítico, Byrne faz do seu show uma espécie de celebração dionisíaca que remete àquelas conduzidas pelo encenador brasileiro José Celso Martinez Corrêa, da companhia Teatro Oficina. “Tudo isso é bem mais do que o oferecido normalmente por um show de rock, né?”, indaga Lerina.
 
O espetáculo, de acordo com o jornalista gaúcho, é um híbrido de concerto de rock, peça de teatro, performance de artes visuais, dança contemporânea e festa de terreiro. “O cenário minimalista, formado apenas por cortinas de correntes e o figurino uniforme para homens e mulheres – de sóbrios ternos cinzentos – contrasta com a alegre e constante movimentação em cena”.
 
Todas as músicas, ressalta, são ilustradas por coreografias repletas de ironia e humor, que lembram, de certa maneira, a dança-teatro da alemã Pina Bausch. O repertório equilibra bem os temas de “American Utopia”, novo trabalho de Byrne, com canções mais antigas.
 
“American Utopia” foi lançado no início do mês. É o primeiro trabalho solo desde de “Grown Backwards” (2004) e serve como componente musical para o projeto multimídia “Reasons to Be Cheerful”, que tem o intuito de disseminar mensagens positivistas. O cantor tem dito que é o show mais ambicioso desde “Stop Making Sense”, quando ainda estava no Talking Heads e que foi a porta de entrada para muitos fãs do músico no Brasil.
 
Serviço: David Byrne. Hoje, a partir das 20h, no Km de Vantagens Hall (Avenida Senhora do Carmo, 230 – São Pedro). Abertura de Karina Zeviani. Ingressos: de R$ 100 a R$ 320.
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